Por Alessandro Vittorio Romano — A onda de influenza e de outras infecções respiratórias agudas já mostra sinais claros de intensidade crescente: estima-se que cerca de 4 milhões de italianos tenham sido derrubados por febre e sintomas respiratórios.
Segundo o relatório da vigilância RespiVirNet, do Istituto Superiore di Sanità (ISS), a incidência registrada na semana de 1º a 7 de dezembro foi de 12,4 casos por 1.000 assistidos, contra 10,2 no boletim anterior — um avanço esperado para a temporada, mas que descreve uma paisagem respiratória em aceleração.
Nessa semana foram estimados cerca de 695 mil novos casos, totalizando, desde o início da vigilância, aproximadamente 4 milhões de episódios. A faixa etária mais atingida continua a ser a dos 0-4 anos, com cerca de 38 casos por 1.000 assistidos, reafirmando a vulnerabilidade das crianças pequenas — como brotos sensíveis num bosque aguardando a próxima chuva.
“Esta semana observamos um aumento sustentado dos casos de infecções respiratórias agudas detectados pela vigilância RespiVirNet, em linha com o esperado para o período”, comenta Anna Teresa Palamara, diretora do departamento de Doenças Infecciosas do ISS. Ela alerta que não é possível prever com precisão quando se atingirá o pico — geralmente entre o fim de dezembro e o fim de janeiro — mas que nas próximas semanas a incidência deverá permanecer elevada.
Palamara reforça as principais medidas de proteção: a vacinação — ainda eficaz e necessária, pois o vírus circulará por semanas —, higiene rigorosa das mãos, o respeito à chamada “etiqueta respiratória” (tossir no lenço ou no antebraço) e evitar locais fechados e muito lotados em presença de sintomas.
Em termos regionais, a intensidade é considerada média em Lombardia, Piemonte, Emilia-Romagna e Sardenha; em nível basal em Úmbria e Molise; enquanto nas demais regiões a circulação é classificada como baixa. Na semana em análise observou-se, tanto na comunidade quanto no fluxo hospitalar, uma alta taxa de positividade para influenza (25,3% na comunidade e 28,8% no ambiente hospitalar).
Entre os vírus respiratórios circulantes na comunidade, os maiores índices de positividade foram para vírus influenza, Rhinovirus e Adenovirus. No fluxo hospitalar, os mais detectados foram vírus influenza, Rhinovirus e vírus Parainfluenza.
Durante a semana foram recebidos 2.714 amostras clínicas pelos laboratórios da rede RespiVirNet. Das análises, 781 (28,8%) resultaram positivas para vírus influenza: 777 do tipo A (157 subtipo H1N1pdm09, 375 H3N2 e 245 A ainda não subtipados) e 4 do tipo B. Entre os demais agentes, 89 (3,3%) amostras deram positivo para SARS-CoV-2, 58 para VRS e o restante para outros vírus respiratórios: 283 (10,4%) Rhinovirus, 68 (2,5%) vírus Parainfluenza, 61 (2,2%) Adenovirus, 55 Coronavírus humanos distintos do SARS-CoV-2, 19 Bocavirus e outros resultados de menor frequência.
Como um jardineiro atento às estações, recomendo que cuidemos do nosso tempo interno: vacinar-se quando indicado, manter hábitos simples de proteção e observar com gentileza os sinais do próprio corpo. A cidade respira junto com os vírus nesta época do ano; cabe a cada um proteger suas raízes e as das pessoas com quem convive.
Fonte: RespiVirNet / Istituto Superiore di Sanità




















