Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário onde a vida se alonga como as estações, a gravidez na Itália tem chegado mais tarde: a idade média à maternidade subiu para 34 anos. Esse adiamento, que mistura escolhas pessoais, econômicas e culturais, traz consigo uma paisagem clínica mais complexa, onde a proteção antecipada — a prevenção primária — ganha papel central.
Os dados apresentados no encontro “La protezione della salute materno-infantile: il valore della prevenzione primaria in gravidanza”, promovido pela Fondazione Onda Ets em parceria com a Società Italiana di Ginecologia e Ostetricia (Sigo), acendem um alerta: mais de uma em cada cinco mulheres reporta distúrbios de ansiedade durante a gestação. Há ainda uma distinção importante feita pelos especialistas entre a ansiedade especificamente ligada à gravidez — que pode atingir até 14,4% das gestantes — e os quadros mais estruturados, como transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e fobias.
Como observador da vida cotidiana italiana, vejo essas estatísticas como sinais da respiração social: as mulheres carregam não só o corpo que gera, mas também expectativas e incertezas de uma sociedade que mudou seu ritmo. A medicina e a promoção da saúde, por sua vez, precisam ouvir esse tempo interno e oferecer intervenções que sejam ao mesmo tempo técnicas e acolhedoras.
Outro ponto sensível destacado no encontro foi a baixa adesão às vacinações na gravidez. Apenas 47% das mulheres associam a prevenção à vacinação, embora as vacinas sejam reconhecidas como ferramentas fundamentais para proteger mãe e recém-nascido nos primeiros meses de vida. “A prevenção primária em gravidez tutela mamma e bambino riducendo il rischio di complicanze e proteggendo il neonato nei primi mesi di vita”, afirmou Francesca Merzagora, presidente da Fondazione Onda Ets, lembrando que, mesmo na Europa, a mensagem é clara: é preciso vacinar, apesar das coberturas ainda insuficientes na Itália.
Em termos práticos, a combinação de uma maternidade mais tardia com níveis elevados de ansiedade e cobertura vacinal subótima exige uma abordagem integrada. Médicos, equipes de enfermagem, serviços de saúde pública e redes de suporte comunitário devem trabalhar com empatia — como jardineiros que entendem o ciclo da terra — para cultivar condições favoráveis ao bem-estar materno-infantil.
Intervenções que promovam informação clara sobre vacinas, triagem para sintomas de ansiedade e caminhos acessíveis para o apoio psicológico durante a gravidez podem ser tão essenciais quanto uma consulta obstétrica rotineira. É uma colheita de hábitos: quanto mais cedo semearmos prevenção e acolhimento, mais fortes serão as raízes do bem-estar para mãe e filho.
Fica o convite à reflexão pública: compreender a gravidez não apenas como um evento biológico, mas como um processo que atravessa a saúde mental, as escolhas sociais e as políticas de saúde. Cuidar dessa travessia é proteger gerações.
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia






















