Por Alessandro Vittorio Romano — Na Giornata mondiale delle malattie rare, a atenção se volta para a fenilcetonúria (PKU), uma condição genética que molda o cotidiano de milhares de pessoas e de suas famílias. Como quem observa a respiração lenta de uma cidade ao amanhecer, percebo que a vida com PKU pede ritual, vigilância e uma colheita diária de hábitos para manter o equilíbrio.
A fenilcetonúria é caracterizada pela incapacidade do organismo em metabolizar o aminoácido fenilalanina. Sem controle, essa substância se acumula e pode afetar o desenvolvimento neurológico. Historicamente, a dietoterapia — uma alimentação rigorosa com restrição de fenilalanina desde o diagnóstico neonatal — tem sido a base do tratamento, funcionando como uma cerca que protege o jardim frágil do corpo.
Mas há um vento novo: segundo especialistas do Ao di Padova, citados nas comemorações do dia mundial, a terapia enzimática substitutiva representa um avanço real para muitos adultos. Tratamentos enzimáticos, como a pegvaliase em países onde foi aprovada, atuam convertendo a fenilalanina em compostos menos nocivos, reduzindo níveis plasmáticos e permitindo que alguns adultos vivam com menos restrições alimentares. É como devolver a um vilarejo a possibilidade de abrir novas estradas sem perder a sua identidade.
Isso não significa que a dietoterapia perde importância: para crianças e muitos adultos, ela segue sendo essencial. O elemento novo é a possibilidade de escolhas terapêuticas adicionais que podem melhorar a qualidade de vida, aliviar o peso social e emocional do tratamento e favorecer uma rotina menos rígida.
Ao mesmo tempo, é necessário lembrar da importância do rastreamento neonatal — a detecção precoce é a matriz que permite iniciar cuidados antes que danos irreversíveis ocorram. A PKU também nos lembra de que as doenças raras formam uma paisagem vasta e muitas vezes invisível; cada avanço terapêutico reverbera para famílias, profissionais de saúde e políticas públicas.
Como observador do cotidiano italiano, gosto de pensar que cada pequena conquista em saúde é como a chegada da primavera: não apaga os invernos vividos, mas prepara o solo para um florescimento mais sereno. Para as pessoas com fenilcetonúria, as novas terapias podem significar menos medo diante da mesa, mais possibilidades de convivência social e um alívio tangível na rotina. Ainda há caminhos a percorrer — acesso a tratamentos, adesão, acompanhamento multidisciplinar —, mas a direção é promissora.
Nesta Giornata mondiale delle malattie rare, é tempo de atenção, solidariedade e de ouvir as histórias que transformam dados em vidas. Celebrar avanços científicos e, ao mesmo tempo, cultivar a empatia é cuidar das raízes do bem-estar coletivo.





















