Por Alessandro Vittorio Romano — Em conversa com o público atento à qualidade de vida, o farmacólogo Silvio Garattini, fundador do Instituto Mario Negri, entrega uma fórmula simples e poderosa: comer pouco e de forma variada. Essa não é apenas uma receita de prateleira, é uma orientação prática para reduzir o esforço cotidiano do organismo e cultivar a longevidade como uma colheita lenta de hábitos.
No centro dessa proposta está o prato: abundância de verduras e frutas, preferência por alimentos integrais e peixes, e a redução de carne vermelha e manteiga — substituídas pelo azeite extra-virgem (EVO). Esses ingredientes não prometem milagres imediatos, mas plantam raízes para um envelhecimento mais saudável.
Garattini traz seu novo livro, Non è mai troppo tardi, dedicado aos jovens e subtitulado La salute è una scelta quotidiana. A mensagem é dupla: a longevidade começa cedo, mas nunca é tarde para reencontrar rotas mais gentis com o próprio corpo. “Os jovens precisam mudar a atitude diante dos estilos de vida”, lembra o pesquisador. E ainda que os danos acumulados ao longo dos anos não se apaguem por completo, eles podem, com escolhas coerentes, ser atenuados.
Há três pilares práticos na alimentação defendidos por Garattini: quanto, o que e quando. Em outras palavras: porções moderadas, qualidade nutricional e atenção ao ritmo das refeições. O tema do jejum intermitente tem ganhado espaço, e Garattini o vê como um facilitador para reduzir o consumo calórico. Porém, sua ênfase está na personalização: adaptar os tempos às necessidades e aos ritmos individuais.
Isso significa que não existe um único calendário alimentar válido para todos. É possível fazer até cinco refeições diárias, desde que o ritmo respeite o relógio biológico: por exemplo, o horário do jantar deve levar em conta a hora de dormir, garantindo um intervalo adequado para a digestão. É um princípio simples, como ajustar o horário da poda à estação certa — um pequeno gesto com grande efeito.
Além da mesa, Garattini destaca a importância de manter-se em movimento: caminhadas diárias de pelo menos 5 km como uma respiração constante para o corpo e a mente. Caminhar é, na sua metáfora, cultivar o jardim interior: ritmo, ar e contato com a paisagem que estabilizam o bem-estar.
Levar prazer à alimentação sem excessos também é possível. Garattini conta com delicadeza como a educação familiar — no seu caso, ensinamentos do pai sobre força de vontade — pode moldar a relação com a comida. Aprender a saborear é, assim, um treino de atenção que permite degustar a vida sem ceder ao excesso.
Na voz de quem observa a Itália e seus ciclos, essa proposta soa como um convite: transformar o dia a dia em uma prática de cuidado, alinhar refeições ao ritmo do corpo e caminhar com constância. Pequenas escolhas, quando somadas ao compasso das estações, desenham um mapa de longevidade onde a saúde é uma colheita diária.






















