Por Alessandro Vittorio Romano — Em um encontro que mistura ciência e cuidado humano, a professora Anna Maria Fulghesu, especialista em Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Cagliari, afirmou em Roma que é preciso ensinar às jovens que é possível gerenciar o ciclo menstrual sem que isso se transforme em um empecilho para a vida cotidiana. A fala ocorreu no convegno “Il tango dell’adolescenza – Corso di alta formazione: primi passi nella salute ginecologica ed endocrinologica dell’adolescente”.
Fulghesu explicou que, ao empregar uma terapia contraceptiva hormonal, estamos — pela primeira vez para muitas adolescentes — capazes de suprimir temporariamente o ciclo menstrual natural e, assim, tornar-se senhoras do próprio ritmo. “Podemos orientar os ciclos para que não perturbem o desempenho escolar, os esportes ou a rotina social”, disse ela, lembrando que o conhecimento desse instrumento precisa ser passado com sensibilidade.
Falar desse tema para uma jovem não é tarefa simples. Muitas têm receio de que suprimir a menstruação seja prejudicial ao corpo. Fulghesu confronta esse medo com uma perspectiva histórica e biológica: no passado, quando o casamento e a maternidade começavam muito cedo, as mulheres passavam longos períodos sem menstruar. “Antes, as meninas casavam-se aos 14 anos e chegavam a ter entre 10 e 16 gravidezes — isso significava ficar até 17 anos sem menstruação durante a vida reprodutiva”, explicou. Hoje, essa realidade mudou radicalmente.
Com a mudança dos projetos de vida e a maior longevidade reprodutiva, o número de ciclos que o corpo feminino enfrenta ao longo da vida tornou-se muito superior ao que nossas “raízes biológicas” estavam adaptadas a suportar. Esse excesso de ciclos tem sido relacionado ao aumento de casos de endometriose, anemia e outros desconfortos que pesam sobre a qualidade de vida.
Para Fulghesu, viver no mundo moderno exige uma relação saudável com os ritmos do corpo: “Se queremos viver no moderno, devemos conseguir gerir o ciclo menstrual de maneira segura — isso pode, na verdade, proteger contra condições que prejudicam a vida diária”. A metáfora me vem natural: é como aprender a podar uma planta para que conserve força e floresça nas estações certas, sem sufocar sua vitalidade.
Como observador do bem-estar, culho dessas palavras a proposta de que a educação sobre terapia contraceptiva hormonal seja feita com escuta, sem alarmismos e com apoio médico contínuo. Não se trata de negar a natureza, mas de acolher suas necessidades com ferramentas seguras, debaixo da mesma respiração que guia a cidade ao amanhecer.
Em resumo, a mensagem é clara: informar, oferecer alternativas e capacitar. Quando uma adolescente entende que pode decidir sobre seu próprio corpo — com cuidado e acompanhamento —, ela carrega consigo um dom que a servirá por muitos anos. E, como uma colheita bem planejada, esse conhecimento tende a nutrir pernas, mente e rotinas mais leves.
Alessandro Vittorio Romano é colaborador do Espresso Italia, atento às intersecções entre clima, saúde e estilo de vida.






















