ROMA, 17 de fevereiro de 2026 – A Federação Nacional dos Ordens das Profissões de Enfermagem (Fnopi) saudou a aprovação de um emendamento ao decreto Milleproroghe, apresentado pela deputada da Lega e chefe de bancada na comissão de Assuntos Sociais, Simona Loizzo. A proposta estende até 31 de dezembro de 2027 a possibilidade de os enfermeiros empregados do Servizio sanitario nazionale (SSN) exercerem atividade profissional fora do horário de serviço, com derrogação das normas de incompatibilidades.
Num comunicado que mistura pragmatismo e preocupação com a saúde coletiva, a Fnopi definiu a medida como “um gesto de bom senso”. Para a federação, a ampliação do prazo é um alívio temporário — uma respiração necessária para um sistema que, como uma paisagem submetida a ventos inesperados, precisa ajustar seus ritmos internos.
A nota explica que a derrogação oferece duas vantagens práticas: possibilita a valorização da autonomia profissional dos enfermeiros e torna-se um instrumento eficaz para reduzir as listas de espera e reforçar a assistência territorial. Num país onde a escassez de pessoal pressiona os serviços públicos, poder contar com profissionais que atuem além das horas contratuais representa um pequeno raio de sol na colheita das boas práticas assistenciais.
A Fnopi também sublinha que a emenda responde a solicitações cruciais da categoria, mas lembra que a natureza transitória da solução exige passos mais ambiciosos. “O objetivo prioritário permanece transformar essas derrogações em reformas estruturais, começando pela abolição definitiva do vínculo de exclusividade“, afirma a federação. Só reformas desse tipo podem oferecer estabilidade ao SSN e uma valorização duradoura do papel do enfermeiro.
No tom que lhe é característico, a federação traça um panorama: as derrogações aliviam tensões imediatas — como a maré que recua para deixar visíveis as rochas do litoral —, mas não substituem um projeto de longo prazo que repense contratos, carreiras e reconhecimento profissional. Sem essa visão, o sistema continuará preso a soluços temporários em vez de ganhar um pulso regular.
Para os profissionais e gestores, a recomendação é clara: usar o tempo que se ganhou até 2027 para construir acordos, planos de formação e políticas de fixação territorial que reduzam a precariedade e melhorem a qualidade assistencial. A aposta da Fnopi é que mudanças estruturais — além de permitir maior mobilidade e complementaridade de horários — também possam recuperar a dignidade e a atratividade da profissão.
Em síntese, a emenda do Milleproroghe é bem-vinda como medida de curto prazo, mas a verdadeira colheita do bem-estar requer reformas que mudem as raízes do sistema: abolir o vínculo de exclusividade, repensar carreiras e consolidar a autonomia dos enfermeiros no mosaico da assistência italiana.






















