Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário em que os ritmos da saúde pública seguem a respiração das regiões, uma mudança silenciosa mas profunda começou a colorir o mapa das compras de medicamentos. Neste ano, as plataformas de compra regionais ganharam a possibilidade de abandonar as tradicionais licitações ao menor preço e optar por critérios de multi-adjudicatário. Essa alteração não é apenas técnica: é a colheita de um novo senso de planejamento e responsabilidade.
Stefano Collatina, presidente da Egualia, destacou esse ponto durante um digital talk dedicado à reforma da legislação farmacêutica, que reuniu instituições, indústria e cidadãos em um diálogo aberto. Segundo Collatina, permitir que as plataformas regionais adotem o critério multi-adjudicatário é particularmente importante porque possibilita às indústrias fazerem uma melhor planejamento das alocações de medicamentos no território.
Na prática, o modelo multi-adjudicatário permite que vários fornecedores sejam selecionados, em vez de se concentrar apenas no fornecedor que ofereça o preço mais baixo. Essa mudança traz consigo uma vantagem que se assemelha a uma paisagem que respira com mais calma: melhora a previsibilidade dos fluxos de fornecimento, reduz o risco de rupturas e cria reservas regionais mais confiáveis. Para o cidadão, a consequência é simples e palpável — mais continuidade no acesso aos tratamentos.
Em um país onde cada região tem seu próprio tempo e seus próprios desafios, a flexibilidade de escolha e a capacidade de distribuir responsabilidades conferem ao sistema uma resiliência que lembra as raízes profundas de uma árvore que atravessa as estações. A indústria, por sua vez, ganha capacidade de planejar estoques e logística com horizonte mais claro, evitando decisões de curto prazo guiadas apenas pela pressão do corte de preços.
O diálogo promovido no digital talk trouxe ainda reflexões sobre como essa reforma poderá afetar a relação entre poder público, fabricantes e usuários do sistema de saúde. A presença de representantes institucionais, industriais e cidadãos sinalizou a importância de políticas que harmonizem eficiência econômica com segurança de abastecimento e bem-estar coletivo.
Como observador dos costumes e do cotidiano, percebo nessa evolução uma sutil tradução de cuidado: as políticas públicas deixam de tratar medicamentos como meros itens de gasto e passam a considerá-los como parte da tessitura que mantém a cidade viva. É uma pequena primavera para a governança das compras públicas, onde a lógica do menor preço cede espaço a uma visão mais ampla — mais humana — do que significa garantir saúde no território.
Em resumo: a adoção do critério multi-adjudicatário nas plataformas de compra regionais representa um passo relevante para dar previsibilidade à alocação de medicamentos. Palavras de Collatina e o debate público que se seguiu mostram que, ao harmonizar decisões, é possível cultivar políticas que protegem a disponibilidade e a qualidade do cuidado para todos.






















