Por Alessandro Vittorio Romano — Em um gesto que lembra a aragem suave que abre uma primavera tardia, foi assinado um protocolo de entendimento entre Fand — Associação Italiana de Diabéticos — e Assimprenditori com o objetivo de promover a plena integração das pessoas com diabetes no mundo do trabalho. A iniciativa quer transformar o olhar sobre quem vive com a doença: de fardo a recurso, de silêncio a protagonismo.
Acordos como este são sementes lançadas em solo urbano: têm o potencial de transformar a paisagem do dia a dia, melhorando a gestão clínica e reduzindo as complicações através de comportamentos proativos e uma cultura de prevenção no ambiente laboral. É um convite para que empregadores, colegas e famílias entendam o diabetes não como um problema a ser escondido, mas como uma condição gerenciável que, com apoio e informação, permite uma vida profissional plena.
Os números que cercam essa realidade em Itália são um lembrete da urgência: cerca de 4 milhões de pessoas vivem com diabetes, e estima-se que 1 milhão adicional esteja sem diagnóstico. O sistema de vigilância PASSI, promovido pelo Ministério da Saúde, indica que 70% das pessoas com diabetes estão com excesso de peso, 48% levam uma vida sedentária, 22% fumam, e mais de 90% não consomem as cinco porções diárias recomendadas de frutas e legumes. Estes são sinais claros de que a promoção de estilos de vida saudáveis, inclusive no local de trabalho, é essencial.
Manuela Bertaggia, presidente da Fand, afirmou que o acordo pretende dar às pessoas com diabetes a consciência serena e correta da sua condição, favorecendo contra a cronologia das complicações e aumentando a contribuição produtiva e social. Segundo ela, a meta é reduzir dias perdidos por doença e internamentos, com impactos positivos tanto na qualidade de vida quanto nos custos para a coletividade.
Na prática, a parceria prevê iniciativas de formação, campanhas de sensibilização e ações de prevenção dirigidas ao mundo laboral. Pensar o trabalho como um terreno fértil para hábitos saudáveis — pausas ativas, oferta de alimentos mais equilibrados na cantina, acesso à informação e flexibilidade para consultas médicas — é plantar bem-estar no ritmo das horas.
Superar o estigma que ainda acompanha o diabetes também faz parte da colheita: encorajar a comunicação aberta, educar chefias e colegas, e envolver círculos familiares e sociais são passos que ajudam a transformar medo em cuidado e desconhecimento em suporte.
Como observador atento das estações da vida, vejo nesta parceria um pequeno grande sinal de mudança — a respiração mais calma de uma cidade que aprende a acolher todas as suas pessoas, valorizando suas capacidades e cuidando das suas fragilidades. A colheita desejada é maior produtividade, menos complicações, e um tecido social que reconhece o diabetes como parte da diversidade humana, e não como uma limitação definitiva.






















