Por Alessandro Vittorio Romano — Uma nova pesquisa assinada pelo Departamento de Agricultura, Ambiente e Alimentos da Universidade de Molise chega à revista Nature Health trazendo luz sobre um tema que respira junto com nossas cidades: as partículas de plástico presentes na alimentação humana. O estudo, conduzido pela pesquisadora Cristina Di Fiore e pelo professor Pasquale Avino, investiga se e como as nanoplásticas ingeridas com os alimentos conseguem ultrapassar as barreiras biológicas do intestino.
Em linguagem acessível, mas com resultados claros, a equipe examinou a interação entre as propriedades físico‑químicas das partículas e os componentes do trato digestivo — em especial o filme de muco e o epitélio intestinal. Os achados sugerem que não é apenas o tamanho das partículas que importa, mas também sua composição e superfície: essas características influenciam a capacidade das microplásticos e das nanoplásticos de aderir, penetrar ou ser retidas pela mucosa.
Do ponto de vista prático, essa pesquisa abre janelas para compreender possíveis trajetórias dessas partículas dentro do corpo e quais consequências elas podem provocar. A equipe destaca, porém, lacunas metodológicas significativas: os métodos experimentais e analíticos atuais mostram limitações para quantificar com precisão a absorção e o destino final das nanoplásticas no organismo humano. Assim, os autores pedem o desenvolvimento de protocolos mais padronizados e confiáveis para que resultados entre laboratórios sejam comparáveis.
Como observador dos ritmos do cotidiano, vejo esse trabalho como um lembrete de que a poluição plástica não é só uma paisagem visível à beira-mar ou nos rios; é também uma presença invisível que acompanha nossa colheita de hábitos à mesa. Entender se partículas minúsculas atravessam o intestino e alcançam tecidos é entender o tempo interno do corpo em interação com o ambiente.
Os resultados publicados na Nature Health não trazem respostas definitivas sobre efeitos clínicos imediatos, mas marcam um passo necessário: expor as fragilidades das ferramentas científicas e instigar uma jornada coletiva por metodologias mais rigorosas. Para quem caminha pelas praças, cozinha com produtos locais ou escolhe o peixe na feira, a mensagem é dupla — prática e poética: cuidar do planeta é cuidar do nosso ventre, e cuidar do ventre é ouvir a respiração da cidade.
Em resumo, o estudo da Università del Molise reforça a urgência de pesquisas interdisciplinares e protocolos padronizados para avaliar com precisão a presença e os possíveis efeitos das microplásticos e nanoplásticas na dieta humana. Enquanto a ciência refina suas técnicas, permanece a necessidade de políticas e escolhas de consumo que reduzam a entrada de plástico no ciclo alimentar.
Fonte: Departamento de Agricultura, Ambiente e Alimentos — Universidade de Molise; publicação em Nature Health. Reportagem por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia.






















