ROMA, 03 de fevereiro de 2026 — A embolia pulmonar emerge como a terceira causa de morte entre as doenças cardiovasculares, atrás apenas do infarto e do ictus. Os dados apresentados no encontro “Dalla diagnosi alle politiche sanitarie: un impegno comune contro l’embolia polmonare”, realizado no Senado, acendem um alerta: há uma lacuna importante entre os casos estimados e as hospitalizações registradas.
Na Itália, estima-se que ocorram cerca de 68 mil casos de embolia pulmonar por ano, enquanto apenas cerca de 38 mil hospitalizações são contabilizadas. Esse descompasso aponta para um amplo sommerso diagnóstico: muitos episódios não são interceptados, identificados ou corretamente codificados pelos sistemas de saúde. Em linguagem mais sensível, é como se parte da respiração do país se perdesse antes que pudéssemos escutá-la com atenção.
A embolia pulmonar é uma afecção de difícil diagnóstico e fortemente tempo-dependente. O quadro clínico pode se agravar em poucas horas, e os relatórios apontam para uma taxa de mortalidade de 9,2%. Essa urgência clínica exige percursos organizados, que garantam a identificação rápida e a terapêutica adequada: é preciso agir como quem cuida de um pomar — reconhecer as estações, colher quando é o tempo certo e evitar que a safra se perca.
No encontro no Senado, a senadora Elena Murelli, promotora do evento, lembrou que a inclusão da embolia pulmonar nas redes interdependentes de cuidados é imperativa. “Devemos reconhecer esta patologia dentro das redes interdependentes e assegurar programação, colaboração multidisciplinar e o fim das desomogeneidades territoriais“, afirmou Murelli. Em outras palavras, é necessário que cada região do país respire com a mesma coordenação clínica — sem bolsões de desigualdade que retardem o atendimento.
Do lado institucional, representantes do Ministério da Saúde apontaram que as políticas devem partir das evidências disponíveis para desenhar percursos de cuidado que garantam adequação e tempestividade das terapias. A proposta é transformar dados em caminhos práticos: protocolos claros, integração entre emergência, unidades de imagem e clínicas especializadas, e uma codificação homogênea que não deixe casos no limiar do desconhecido.
Para quem vive e cuida — profissionais de saúde, gestores e cidadãos — a mensagem é dupla: reconhecer os sinais (falta de ar súbita, dor torácica, síncope) e exigir redes que respondam rápido. Como observador atento das estações do corpo e da cidade, vejo aqui uma analogia forte: a saúde coletiva precisa de sistemas que funcionem como uma floresta bem enraizada, onde cada árvore sabe seu lugar e coopera para manter o conjunto vivo.
Em resumo, os números não são apenas estatística; são sinais de um ritmo respiratório que pede escuta e intervenção. Melhorar os percursos de diagnóstico e tratamento, reduzir desigualdades regionais e fortalecer a colaboração entre especialidades são passos essenciais para reduzir o impacto da embolia pulmonar e devolver ao país uma respiração mais segura e uniforme.






















