Por Alessandro Vittorio Romano — A brisa cotidiana da saúde pública trouxe hoje uma notícia que mexe com a rotina de médicos, pais e comunidades: a Agência Europeia de Medicamentos, Ema, recomendou a retirada do mercado de todos os medicamentos que contenham levamisol, princípio ativo tradicionalmente usado contra vermes parasitas.
Como quem percebe uma mudança no clima antes da chuva, os especialistas reunidos no Comitê para a Segurança (Prac) da Ema fizeram uma leitura cuidadosa dos sinais clínicos e farmacológicos. Concluiram que os benefícios do levamisol já não superam os riscos à saúde, sobretudo por causa do perigo de leucoencefalopatia, uma condição neurológica rara e grave que atinge a substância branca do cérebro.
O levamisol vinha sendo utilizado como anti-helmíntico para tratar parasitoses intestinais como ascaridíase e oxiuríase — infecções que frequentemente aparecem na infância escolar e em ambientes comunitários com higiene precária. Eram tratamentos, em geral, de curta duração e por vezes administrados em dose única, prescritos por clínicos gerais e pediatras.
O que alarmou os avaliadores foi a natureza imprevisível da leucoencefalopatia. Os sintomas relatados incluem confusão, distúrbios motores, comprometimento cognitivo e alterações visuais. Ainda mais inquietante: a condição pode surgir mesmo após uma única dose, com janela temporal que varia de poucos dias até vários meses.
Os peritos não identificaram intervenções confiáveis capazes de reduzir esse risco, nem grupos de pacientes claramente mais suscetíveis. Diante disso, e considerando que as infecções tratadas costumam ser benignas e que existem alternativas terapêuticas, o balanço benefício-risco ficou desfavorável.
Para quem está atualmente em tratamento com medicamentos que contêm levamisol, a orientação é de calma e informação: não interromper a medicação de forma abrupta sem consultar o médico ou farmacêutico. Agende um contato com seu profissional de saúde para avaliar alternativas seguras — a árvore da decisão clínica deve ser podada com cuidado, não arrancada de raiz por conta própria.
Do ponto de vista prático, os sistemas nacionais de regulação e as farmácias receberão instruções para proceder à retirada gradual dos lotes e informar os pacientes. A medida reflete uma postura preventiva: quando as nuvens trazem sinais de tempestade, é melhor buscar abrigo e redesenhar rotas do que arriscar a travessia.
Como observador que liga a saúde ao ambiente e aos ritmos da vida, penso nos impactos desta decisão nas famílias e nas comunidades escolares: será preciso reforçar medidas simples de higiene, promover educação sanitária e garantir acesso a alternativas terapêuticas. A notícia também é um lembrete de que os remédios, igual às estações, têm ciclos — alguns chegam ao fim quando o risco eclipsa o benefício.
Continuaremos acompanhando as atualizações da Ema e das autoridades nacionais para informar sobre recalls, recomendações e opções de tratamento. Enquanto isso, cuide do seu tempo interno e das pequenas rotinas de proteção: lavar as mãos, cuidar da alimentação e esclarecer dúvidas com profissionais de saúde é a colheita diária que previne problemas maiores.
Data da notícia: 16 de fevereiro de 2026
















