Elisa Napolitano, 40 anos, genovesa, publicou um longo e comovente texto nas redes sociais dirigindo-se ao virologista Matteo Bassetti e contando como sua vida mudou desde a aplicação da vacina Covid em 2021. Em uma carta aberta que ganhou repercussão, Elisa relata um caminho abrupto do bem-estar à limitação física — uma trajetória que, para quem a lê, soa como a transformação de uma paisagem em poucas estações.
No post, a mulher descreve que, após uma consulta em área de vacinação protegida, foi aconselhada a receber duas doses da vacina em novembro de 2021. O que veio depois, diz ela, não foi apenas um efeito passageiro: foram dois anos de febre persistente, quatro idas ao pronto-socorro, um internamento e, enfim, a necessidade de usar cadeiras de rodas de forma permanente.
Elisa afirma ter recebido uma série de diagnósticos no Policlinico San Martino de Gênova — uma instituição de referência no país e, em parte, o mesmo hospital ligado à clínica dirigida por Matteo Bassetti. Entre os laudos citados estão PCVS (descrito no post como pós-vacinal), POTS com disautonomias do sistema nervoso ortosimpático, neuropatia das pequenas fibras (NPF), hipersensibilidade a medicamentos e um provável dano mitocondrial que causa grave intolerância ao esforço.
É desses detalhes clínicos que nasce o apelo de Elisa: “Eu sou uma entre muitas, por que não nos escutam?” A pergunta, simples e dolorida, ecoa como vento que percorre uma planície onde antes havia sossego. Não é um ataque retórico, mas um pedido de reconhecimento — das pessoas, dos médicos, das instituições que cuidam do corpo e da dignidade.
O caso de Elisa insere-se em um debate mais amplo que acompanha os efeitos adversos atribuídos a vacinas e a respostas institucionais. Relatos semelhantes ao dela têm sido trazidos por outras vozes; há também iniciativas legais em curso, como a menção a uma ação de classe que busca responsabilizar fabricantes por danos e outros episódios noticiados, por exemplo, envolvendo reconhecimento de nexo causal em casos específicos. Essas realidades, quando somadas, pedem um cuidado que vai além de estatísticas: pedem escuta, transparência e suporte médico contínuo.
Como alguém que observa a Itália pelas estações e pelo pulso das ruas, vejo aqui um encontro tenso entre ciência, experiência pessoal e confiança social. A saúde pública é como um olival: precisa de poda sensível, poda baseada em evidências, mas também de atenção imediata quando uma árvore adoece. Ignorar quem apresenta sinais persistentes é deixar uma raiz de sofrimento afundar mais fundo.
Elisa dirige o apelo a Bassetti — figura conhecida no debate sobre doenças infecciosas —, buscando atenção para diagnósticos feitos no mesmo ambiente hospitalar. Ela não pede espetáculos: pede reconhecimento clínico e respostas para uma vida alterada. É um pedido que mistura a objetividade dos laudos com a urgência afetiva de quem teve a rotina transformada.
Enquanto as instituições avaliam e os estudos prosseguem, a cidade respira e observa: cada relato como o de Elisa exige que a medicina mantenha sua face humana. Escutar não é apenas ouvir a ficha; é caminhar ao lado de quem colheu um fruto inesperado e agora precisa de cuidado para florir novamente.






















