Como quem observa a respiração da cidade ao amanhecer, vejo o mundo digital dos jovens como uma paisagem que muda rápido — e que pede cuidado atento. Surge, assim, Educatamente 2.0, um projeto-piloto que combina inovação tecnológica e formação humana para enfrentar o cyberbullying.
Financiado no âmbito do programa CCM do Ministério da Saúde, Educatamente 2.0 é coordenado pelo Dipartimento di Prevenzione da Asl Roma 1, em parceria com o Centro nazionale dipendenze e doping dell’Istituto Superiore di Sanità (ISS) e o Dipartimento di Psicologia da Sapienza Università di Roma. O projeto foi apresentado no ISS por ocasião da jornada nacional contra o bullying e o cyberbullying, durante o congresso “Oltre lo schermo. Insieme per un web sicuro – Educatamente 2.0: Promozione della salute digitale e prevenzione del cyberbullismo”. A abertura contou com a projeção de um vídeo do ISS criado para orientar os jovens sobre onde e como pedir ajuda.
O núcleo da iniciativa é claro: combinar formação a distância para mais de 5 mil profissionais — entre operadores sanitários, professores e pais — com experiências imersivas em sala de aula que utilizam realidade virtual. A proposta não se limita ao ensino teórico; ela convida adultos e jovens a experimentar, a sentir o impacto das condutas online, e a transformar empatia em ação preventiva.
Rocco Bellantone, presidente do ISS, lembra que a saúde dos adolescentes depende também do seu bem-estar digital: “Na faixa entre os onze e os quinze anos, a que mais sofre com episódios de bullying online, a saúde é também bem-estar digital. Formar pais, professores e profissionais de saúde com métodos cientificamente validados para interceptar precocemente esses fenômenos e criar uma aliança com as escolas é a via mestra para combater o isolamento da vítima. Uma solidão que pode gerar consequências graves, por vezes até fatais”.
Giuseppe Quintavalle, diretor-geral da Asl Roma 1, ressalta a aposta na tecnologia ao serviço da prevenção: “A inovação tecnológica ao serviço da prevenção. Proteger os adolescentes dos riscos do web é proteger o seu futuro e a sua integridade psíquica. Como Asl Roma 1, estamos orgulhosos de coordenar este projeto, construindo uma rede de proteção que reúne operadores de saúde, escolas e famílias para interceptar o sofrimento precocemente e oferecer instrumentos concretos para os adultos”.
A diretora do Dipartimento de Psicologia da Sapienza, Annamaria Giannini, enfatiza o papel transformador da realidade virtual: “A realidade virtual é eficaz em percursos educativos porque trabalha a experiência, não só o conhecimento. Ambientes imersivos permitem compreender mais profundamente o vivido da vítima de violência online, tornando tangíveis as consequências emocionais e relacionais das condutas digitais. Assim, a atenção desloca-se do ato em si para a pessoa que sofre, promovendo nos jovens maior consciência, responsabilidade e capacidade de reconhecer riscos”.
Educadamente 2.0 prevê, portanto, um mosaico de ações: formação a distância para milhares de adultos, oficinas imersivas nas escolas com realidade virtual, materiais informativos e uma visão integrada de proteção do menor. É uma colheita de hábitos que visa restaurar vínculos — a raiz do bem-estar coletivo — e criar referências concretas para quem convive com adolescentes na paisagem digital.
Ao final, a mensagem é simples e humana: proteger o mundo online dos jovens é tão essencial quanto cuidar do seu corpo — é cuidar do seu tempo interno, das suas relações e da sua possibilidade de florescer. Em tempos de telas onipresentes, a empatia e a união entre escolas, famílias e serviços de saúde são a luz que pode transformar solidão em rede.






















