Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma paisagem que liga o ritmo do corpo à respiração da cidade, surge um achado científico que parece arrancado das raízes do bem-estar: Dysosmobacter welbionis, uma bactéria intestinal, foi identificada como potencial aliada na prevenção e na melhora de doenças metabólicas, incluindo diabetes, obesidade e o tão temido fígado gordo (esteatose hepática).
Um estudo internacional, com participação de pesquisadores italianos — entre eles o Cnr-Ispaam de Portici, a Universidade Tor Vergata de Roma e o IRCCS Neuromed de Pozzilli —, publicado na revista Gut, mapeou o papel desse microrganismo no ecossistema intestinal e sua relação com a saúde hepática e metabólica. A pesquisa, coordenada por instituições belgas, revela que a presença de Dysosmobacter welbionis no intestino está consistentemente associada a um quadro de boa saúde metabólica.
O que torna essa descoberta tão sensorial quanto prática é a capacidade dessa bactéria de transformar o mio-inositol — um poliol encontrado naturalmente em frutas, legumes, cereais e oleaginosas — em ácido butírico, um composto já conhecido por seus efeitos benéficos em distúrbios metabólicos humanos. Enquanto outros microrganismos intestinales convertem o mesmo nutriente em ácidos como o acetato ou o propionato, os pesquisadores demonstraram, pela primeira vez, uma via metabólica única que gera ácido butírico a partir do mio-inositol.
Antonio Dario Troise, coordenador do estudo pelo Cnr, explica que a ausência ou redução de Dysosmobacter welbionis foi observada em indivíduos com esteatose hepática associada a disfunção metabólica e naqueles com fibrose hepática avançada. Por outro lado, a presença desse microrganismo correlaciona-se a um cenário de menor risco metabólico. Andrea Scaloni, pesquisador do Cnr-Ispaam, acrescenta que uma análise metagenômica ampla permitiu identificar a via bioquímica única que distingue essa bactéria dos demais comensais intestinais.
Do ponto de vista prático e humano, a descoberta abre caminho para o desenvolvimento de probióticos especificamente projetados para reconstituir ou aumentar a presença de Dysosmobacter welbionis no microbioma intestinal. Pense nisso como plantar uma árvore resistente em solo fértil: ao cuidar das raízes — a nossa microbiota —, colhemos frutos de saúde no corpo e no fígado.
Como observador atento dos ciclos que regulam nossa vida, gosto de pensar nessa pesquisa como um pequeno despertar da paisagem interna: quando restauramos uma espécie benéfica que converte alimentos em moléculas protetoras, estamos realinhando o tempo interno do corpo com as estações do bem-estar. Ainda há passos a dar — testes clínicos, formulação de probióticos e avaliações de segurança —, mas o caminho se desenha promissor.
Em resumo: Dysosmobacter welbionis surge como um farol na pesquisa sobre doenças metabólicas, oferecendo uma ponte entre dieta (mio-inositol), microbiota e saúde hepática por meio da produção de ácido butírico. É uma história que nos lembra que, muitas vezes, a resposta para grandes males pode vir das pequenas criaturas que habitam a nossa paisagem interna.
Referência: Estudo publicado em Gut, coordenação Universidade Católica de Louvain e Wel Research Institute (Wavre), com participação do Cnr-Ispaam, Universidade Tor Vergata e IRCCS Neuromed.


















