Por Alessandro Vittorio Romano — Uma nova brisa para quem convive com a Bpco: a Agência Italiana do Medicamento (Aifa) autorizou o reembolso do dupilumab para pacientes com broncopneumopatia crônica obstrutiva cujo quadro permanece descontrolado mesmo após a otimização da terapia inalatória. O anúncio, feito durante um encontro com a imprensa em Milão organizado por Sanofi e Regeneron, marca um passo importante na jornada de tratamento desses pacientes.
O dupilumab já era conhecido por suas aplicações em outras indicações — dez aprovações anteriores —, e agora amplia seu alcance ao mundo da Bpco. Trata-se do primeiro medicamento biológico direcionado que demonstrou reduzir de forma significativa as riacutizações — episódios que funcionam como tempestades súbitas no ciclo da doença, acelerando sua progressão e elevando o risco de mortalidade.
Quem pode ser elegível? A terapia destina-se a pessoas com Bpco não controlada apesar da maximização da terapia inalatória e que apresentem sinais de inflamação de tipo 2, caracterizada por um aumento de eosinófilos no sangue periférico. Os eosinófilos, guardiões inflamatórios que às vezes se tornam excesso, ajudam a identificar um subtipo da doença que pode responder melhor a abordagens biológicas específicas.
Como observador atento das estações do corpo e da cidade, vejo essa decisão como um replantio no terreno do bem-estar respiratório: não é uma cura, mas é uma intervenção que pode reduzir a frequência das tempestades (riacutizações) e, por isso, proteger as raízes da saúde pulmonar. Para o paciente, significa menos internações, menos noites interrompidas pela falta de ar e uma respiração que volta a acompanhar o ritmo da vida cotidiana.
O encontro em Milão reuniu especialistas e representantes das empresas responsáveis pelo medicamento — Sanofi e Regeneron — para explicar os critérios de acesso e os dados que embasam a decisão da Aifa. Entre os pontos destacados estiveram evidências de redução de riacutizações e sinais de melhora na qualidade de vida de pacientes com fenótipo de inflamação tipo 2.
Do ponto de vista prático, a inclusão do dupilumab na lista de medicamentos reembolsáveis abre caminho para que mais pacientes tenham acesso sem o peso imediato dos custos. Ainda assim, o acesso dependerá da avaliação clínica e dos critérios definidos pelas autoridades de saúde, que buscam equilibrar eficácia, segurança e sustentabilidade do sistema.
Viver com Bpco é aprender a escutar o próprio corpo como se fosse uma paisagem em mudança: reconhecer sinais, ajustar rotas e colher hábitos que protejam o fôlego. O dupilumab representa, para um grupo selecionado de pacientes, uma nova ferramenta nessa colheita de cuidados — uma esperança amparada por evidência e por políticas que tornam o tratamento mais acessível.
Continuarei acompanhando os desdobramentos dessa decisão e trazendo uma leitura sensível sobre como as políticas de saúde e os avanços terapêuticos afetam o cotidiano de quem respira e vive nas cidades e no campo, onde o tempo interno do corpo encontra o ritmo das estações.






















