Na véspera do Dia Mundial contra o Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, a atenção volta-se para uma dimensão frequentemente silenciada da doença: a dor oncológica. Para a especialista Flaminia Coluzzi, responsável pelo Centro de Terapia da Dor Onco-Hematologia do Hospital Sant’Andrea em Roma e diretora da Escola de Especialização em Medicina e Cuidados Paliativos da Universidade Sapienza, hoje essa dor pode e deve ser tratada com muito mais eficácia do que no passado.
“A dor não é apenas um sintoma acessório do tumor: muitas vezes é uma verdadeira doença dentro da doença”, afirma Coluzzi. Ela lembra que a dor oncológica altera profundamente a vida das pessoas — corrói a autonomia, fragmenta o sono, altera relações e projetos — e observa que persiste, entre pacientes e familiares, o mito de que suportá-la em silêncio seria inevitável. A boa notícia, diz a especialista, é que esse quadro vem mudando graças aos avanços no conhecimento e nas opções terapêuticas.
Na prática clínica contemporânea, o tratamento da dor oncológica é multidisciplinar e centrado no paciente. Ao lado das terapias farmacológicas, que incluem analgésicos e adjuvantes, existem intervenções locais, técnicas minimamente invasivas, cuidados de reabilitação e apoio psicológico. Radioterapia paliativa para metástases ósseas, bloqueios nervosos e terapias integradas contribuem para reduzir o sofrimento e recuperar ritmos cotidianos.
Coluzzi sublinha que a história natural do câncer mudou: muitos pacientes vivem por longos períodos com a doença e, em casos, a trajetória pode culminar na remissão ou cura. Por isso, tratar a dor com inteligência e sensibilidade torna-se ainda mais essencial — não apenas para aliviar o sofrimento imediato, mas para preservar a qualidade de vida ao longo de um percurso que pode ser duradouro.
É também fundamental descontruir receios sobre os tratamentos, especialmente no que toca aos opioides. Informar sobre dosagem, efeitos colaterais e objetivos do controle da dor ajuda a transformar o medo em cooperação ativa no cuidado. A abordagem ideal combina ciência e cuidado humano: ouvir, avaliar com instrumentos validados, adaptar intervenções e acompanhar a resposta ao longo do tempo.
Como um jardineiro que conhece as estações, o médico do sofrimento aprende a reconhecer sinais, a modular tratamentos e a cultivar bem-estar mesmo em solo difícil. Os Cuidados Paliativos não significam desistência; significam responder ao conjunto de necessidades do paciente — físicas, emocionais e existenciais — e devolver espaço aos pequenos ritos do dia a dia.
Para pacientes, familiares e profissionais, a mensagem é clara e esperançosa: a dor oncológica não precisa mais ser aceita como destino inevitável. Com avaliação precoce, caminhos terapêuticos personalizados e uma rede de suporte, os passos do cotidiano podem recuperar um compasso mais suave. Neste 4 de fevereiro, que essa conversa se transforme em ação e cuidado.
Por Alessandro Vittorio Romano, para Espresso Italia — observador das estações, da cidade e do corpo que vive nela.






















