Sou Alessandro Vittorio Romano, e observo a vida italiana com o cuidado de quem percebe as estações no corpo e na cidade. Nesta paisagem clínica, uma notícia ganha força: a nutrição deixou de ser mera recomendação e passa a ocupar um papel terapêutico ativo no manejo da doença de Crohn.
Em entrevista sobre a campanha «Più Crohnsapevoli – Per una nutrizione consapevole», o professor Silvio Danese, diretor da Unidade de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva do IRCCS Ospedale San Raffaele de Milão, sintetiza uma colheita de evidências que vem crescendo: dados mostram que a dieta, inclusive quando combinada com terapias biológicas, pode manter ou mesmo induzir a remissão da doença de Crohn. “Existem dietas dedicadas que funcionam à altura dos biológicos”, diz Danese, lembrando que não se trata de rivalidade, mas de integração terapêutica.
A campanha é promovida por Modulen — alimento para fins médicos especiais da Nestlé Health Science — e prevê a realização, em várias regiões, de cursos dirigidos a gastroenterologistas envolvidos no cuidado de pessoas com doenças inflamatórias crônicas intestinais (MICI). A iniciativa, em colaboração com o Italian Group for the study of Inflammatory Bowel Disease (IG-IBD), busca sensibilizar pacientes e profissionais para que a nutrição seja encarada como parte integrante da terapia, com reflexos diretos nos outcomes clínicos e na qualidade de vida.
Entre as folhas deste novo olhar clínico há também um dado que soa como um chamado: uma survey feita com 220 italianos com doença de Crohn mostrou que apenas um terço dos pacientes é encaminhado a um dietista. Para Danese, é fundamental que o acesso a nutricionistas especializados seja ampliado — como quem estende as raízes para que a planta recupere sua força.
Além dos sinais biológicos de resposta, Danese destaca que os dados sobre ansiedade e qualidade de vida dos pacientes são essenciais quando se fala em dieta. A alimentação, em suas nuances, mexe também com o tempo interno do corpo: a escolha dos alimentos pode suavizar o “inverno da mente” que acompanha a doença, ou promover um despertar de bem-estar.
Na prática, a proposta é dupla: oferecer aos gastroenterologistas ferramentas e conhecimento por meio dos cursos e, para os pacientes, traduzir recomendações em caminhos cotidianos. Isso inclui reconhecer dietas específicas com evidência científica, integrar intervenções nutricionais às terapias biológicas quando necessário e garantir acompanhamento por profissionais treinados.
Como um guia que sente a respiração da cidade e a pulsa do organismo, concluo que este movimento é menos sobre regras rígidas e mais sobre uma colheita de hábitos que favorecem a cura e a convivência com a doença. A nutrição emerge assim como um parceiro terapêutico: não substitui, mas complementa; não isola, mas integra.
Para quem vive com doença de Crohn, a mensagem é clara — procure orientação, converse com seu médico e peça encaminhamento a um dietista sensibilizado para essa patologia. A jornada do bem-estar é feita de escolhas, e a mesa pode ser um terreno fértil de tratamento.






















