Por Alessandro Vittorio Romano — Seguir uma dieta vegetal, rica em frutas, verduras e leguminosas e com restrição de açúcares e gorduras adicionadas, está associado a menor probabilidade de desenvolver doença renal crônica (DRC). É a conclusão de um amplo estudo publicado no Canadian Medical Association Journal, assinado por pesquisadores da Southern Medical University, em Guangzhou, e do Nanfang Hospital, sob a coordenação de Xianhui Qin.
A investigação avaliou dados de 179.508 participantes entre 40 e 69 anos, residentes na Inglaterra, Escócia e País de Gales. Em um acompanhamento mediano de 12 anos, 4.819 indivíduos — cerca de 2,7% da coorte — desenvolveram DRC. A condição afeta hoje aproximadamente 10% da população adulta mundial e, segundo projeções, deverá subir para a quinta causa de morte até 2040. Esses números mostram que a saúde renal é parte integrante do ritmo vital coletivo.
Segundo Qin, uma maior adesão à dieta EAT-Lancet demonstrou uma associação significativa com o risco reduzido de incidência de DRC. O efeito protetor foi mais evidente entre pessoas com menor exposição a espaços verdes residenciais e entre portadores de determinadas variantes genéticas — lembrando-nos que, assim como uma planta busca sombra ou sol, nossos corpos respondem também ao entorno e ao legado genético.
A dieta EAT-Lancet foi concebida para harmonizar saúde humana e sustentabilidade ambiental. Em sua essência, privilegia o consumo de frutas, verduras e leguminosas, reduz a ingestão de carnes e limita o uso de açúcares e gorduras adicionadas. Os autores destacam que essa restrição específica de açúcares e gorduras pode modular processos inflamatórios e as vias do estresse oxidativo — mecanismos diretamente relacionados à lesão renal.
Em palavras menos técnicas e mais sensíveis: imaginar a mesa como um jardim é reconhecer que cada colheita de hábito alimenta o solo interno do corpo. Reduzir alimentos ultraprocessados e açúcares é como podar ramos doentes para permitir que brotem processos de reparo e manutenção nos rins. A dieta vegetal atua, portanto, como uma rotação de culturas que favorece o equilíbrio metabólico e reduz o acúmulo de agressões oxidativas.
Qin e colaboradores ressaltam que, embora diferentes padrões alimentares ajudem o planeta e o organismo, a singularidade da EAT-Lancet está na ênfase na limitação de açúcares e gorduras adicionadas — um detalhe que parece fazer diferença na prevenção da DRC. Estes achados sublinham o potencial da dieta EAT-Lancet como uma estratégia alimentar eficaz para preservar a função renal em larga escala.
Como observador da vida cotidiana italiana, costumo ver as estações como guias para a alimentação: o despertar da primavera pede leveza, o outono convida a pratos que nutrem sem sobrecarregar. Esta pesquisa, ao conectar padrões alimentares, ambiente e genética, nos lembra que a saúde dos rins brota da combinação entre escolhas à mesa e o cuidado com o lugar onde vivemos — uma prática que é, ao mesmo tempo, pessoal e profundamente coletiva.






















