Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, a notícia do novo decreto de aplicação da lei do esquecimento oncológico soa como um vento que abre janelas: traz alívio e a promessa de renovação para quem atravessou a tempestade do câncer. Foi com esse tom que Massimo Di Maio, presidente nacional da AIOM (Associação Italiana de Oncologia Médica), saudou a iniciativa do Ministério do Trabalho, destacando que os decretos representam o complemento necessário da lei e um passo concreto para ampliar tutelas e garantias.
“Uma maior inclusão trabalhativa é um sustento fundamental para milhões de pessoas que enfrentaram uma neoplasia”, afirmou Di Maio. Em suas palavras — claras como um caminho entre parreiras após a geada — o trabalho não é apenas fonte de renda, mas também de identidade e de reencontro com a rotina cotidiana, aquela respiração lenta e regular que nos reconstrói.
Os dados lembrados pelo presidente dos oncologistas trazem a dimensão do fenômeno: são cerca de 390 mil novos casos de tumor por ano na Itália, e mais de 3,7 milhões de pessoas vivem atualmente com um diagnóstico oncológico — algo que supera 6% da população residente. Graças a terapias cada vez mais personalizadas e eficazes, assim como ao investimento em diagnóstico precoce, os índices de cura vêm crescendo. É a colheita de avanços que brota depois de sementes plantadas pela pesquisa e pela prevenção.
No entanto, Di Maio também recorda que a estrada ainda é longa: há doenças oncológicas para as quais a resposta clínica e social permanece insuficiente, e a reinserção no mercado de trabalho pode encontrar obstáculos burocráticos, estigmas e falta de medidas de apoio adequadas. A aplicabilidade prática dos decretos é, portanto, um momento decisivo para transformar legislação em experiências de vida reais — para que o retorno ao emprego seja possível, sustentável e digno.
Do ponto de vista humano, a inclusão profissional é uma forma de cuidar: envolve adaptações do ambiente, esclarecimento de direitos, programas de retorno gradual e diálogo entre empregadores, serviços de saúde e pacientes. É como preparar o solo para uma nova estação — é preciso arar, nutrir e proteger para que a vida volte a florescer.
Para além das estatísticas, o que importa é a qualidade dessa reintegração. Di Maio enfatiza a necessidade de percursos personalizados, em que o papel do oncologista se cruza com o do serviço social e com as políticas públicas. A lei ganha sentido quando reduz medos, elimina barreiras e devolve protagonismo aos que superaram a doença.
Esta etapa legislativa representa, portanto, mais do que um ato administrativo: é um gesto de confiança na capacidade das pessoas de reconstruírem suas rotinas e de reencontrarem o ritmo vital. Como observador atento do cotidiano, vejo nessa medida um convite à sociedade para acolher, com políticas e com coração, aqueles que merecem mais do que retorno: merecem reinserção plena.






















