Em uma conversa que mistura ciência e atenção cotidiana, o professor Stefano Aliberti lembrou que a abordagem multidisciplinar é a base para cuidar de quem convive com bronquiectasias. Participando de um encontro promovido pela farmacêutica Insmed, em Milão, Aliberti — professora de Doenças do Aparelho Respiratório na Humanitas University e diretor da Unidade de Pneumologia do IRCCS Humanitas Research Hospital, em Rozzano (MI) — enfatizou que o trabalho em equipe transforma o manejo clínico em um processo contínuo e humano.
Como quem respira com atenção o ritmo da cidade, o time clínico — composto por pneumologista, enfermeiro e outros profissionais de saúde — tem um papel pedagógico central. Ensinar e acompanhar técnicas de desobstrução das vias aéreas é, segundo Aliberti, o gesto primordial: a correta expulsão do escarro é o primeiro passo para retomar o controle da doença e evitar que o mal se instale como uma geada silenciosa na paisagem respiratória.
Há uma delicadeza prática nessa ideia. Não se trata apenas de procedimentos ou aparelhos, mas de cultivar rotinas de cuidado que funcionem com o ritmo biológico do paciente — a espécie de colheita de hábitos que favorece a saúde. Quando a equipe orienta sobre técnicas respiratórias, posicionamento corporal, uso de dispositivos e acompanhamento domiciliar, ela oferece ao paciente ferramentas concretas para reduzir a carga de secreção e as exacerbações.
No encontro em Milão também se discutiu a evolução das opções terapêuticas. Aliberti destacou que, além das medidas de desobstrução, novas estratégias farmacológicas e intervenções estão em desenvolvimento, ampliando o leque de possibilidades para um controle mais eficaz das bronquiectasias. Ainda assim, a mensagem foi clara: sem uma boa higiene brônquica e sem que o paciente domine a técnica de eliminação do escarro, os ganhos terapêuticos ficam limitados.
Como observador atento do cotidiano e das estações do corpo, vejo essa abordagem como cuidar do solo antes de semear: o trabalho conjunto prepara um terreno onde as terapias futuras podem florescer com mais vigor. A vida com bronquiectasias pede, portanto, mais do que remédios: requer uma inteligência coletiva de suporte, ensino e prática regular.
Ao final, a proposta de Aliberti soa como um convite: transformar o tratamento em um processo integrado, onde o profissional de saúde acompanha, ensina e empodera o paciente. É nessa respiração compartilhada entre equipe e pessoa que se constrói o verdadeiro controle da doença, passo a passo, com paciência e precisão.






















