Por Alessandro Vittorio Romano — A aprovação europeia do depemokimab marca um passo importante na jornada de quem convive com asma grave e comorbidades associadas à inflamação tipo 2, como a rinosinusite crônica com polipose nasal. O professor Giorgio Walter Canonica, do Centro de Medicina Personalizada Asma e Allergie da Humanitas University e do Istituto Clinico e di Ricerca IRCCS de Milão, explica que a inovação essencial deste medicamento é sua ação ultra long-acting: a administração ocorre a cada seis meses, em contraste com esquemas mensais ou bimestrais de outros biológicos.
Em tom sereno, quase como quem descreve a respiração renovada de uma paisagem após a chuva, Canonica destaca que reduzir a frequência das aplicações tem efeitos práticos e humanos imediatos: “uma terapia menos frequente facilita o percurso do paciente, reduz o carico assistenziale e contribui a migliorare la qualità della vita”. Em outras palavras, sem perder a eficácia clínica, a cada meia-annata o paciente encontra menos obstáculos para manter a terapia — e o sistema de saúde, menos custos de gestão.
O mecanismo de ação do depemokimab é focado em bloquear a via da interleucina-5 (IL-5), central nas doenças respiratórias com inflamação eosinofílica. Canonica sublinha que a IL-5 é «essencial tanto na asma quanto na polipose nasal», sustentando a resposta inflamatória que agrava sintomas e exacerbações. Ao neutralizar essa rota, o fármaco entra como uma peça de precisão na caixa de ferramentas da medicina respiratória, especialmente para pacientes elegíveis à terapia biológica.
Os dados do registro italiano Sani do asma grave revelam que 42% dos pacientes apresentam simultaneamente asma grave e polipose nasal — uma confluência que transforma a abordagem terapêutica: tratar um alvo comum pode beneficiar grande parcela dessa população. Nesse sentido, o caráter ultra long-acting do depemokimab torna-se duplamente vantajoso: simplificação do cuidado e impacto direto nas raízes da doença.
Além do controle sintomático, Canonica chama atenção para um objetivo mais ambicioso: a remissão. Hoje, a remissão não é apenas ausência de sintomas; é um conjunto integrado de resultados — ausência de crises, redução das exacerbações, função pulmonar estável e eliminação do uso de corticosteroides sistêmicos. É como levar o jardim do bem-estar a uma estação de paz, onde as ervas daninhas da inflamação não mais dominam.
Para quem vive o cotidiano da asma, essa aprovação significa menos idas às clínicas, menos ansiedade logística e uma chance maior de manter a aderência terapêutica — a verdadeira colheita de um tratamento a longo prazo. Do ponto de vista do sistema de saúde, representa uma oportunidade de reduzir custos sem sacrificar a qualidade do cuidado.
Enquanto observador sensível das relações entre clima, saúde e hábitos, penso que tratamentos como o depemokimab se alinham ao ritmo humano: menos interrupções, mais continuidade. A paisagem do tratamento respiratório muda, e com ela a promessa de uma vida quotidiana mais leve para muitos pacientes.






















