Por Alessandro Vittorio Romano — A relação das crianças com as telas de smartphone e tablet ganhou contornos de paisagem que afeta sono, movimento e vínculos. Como um jardim que deixa de girar com as estações, o dia a dia infantil muda quando o brilho da tela passa a marcar o tempo interno do corpo.
No episódio “Attenzione agli schermi” do vodcast Le 6 A – La salute si costruisce da piccoli, produzido por Adnkronos em parceria com a Sociedade Italiana de Pediatria (SIP) e disponível no YouTube, Spotify e na seção de podcasts do site adnkronos.com, especialistas traçam recomendações práticas para prevenir os efeitos negativos do uso excessivo de dispositivos eletrônicos por crianças.
As evidências são claras: crianças muito conectadas dormem menos, se movimentam menos, conversam menos e, por vezes, sentem-se mais isoladas. Também há aumento de ansiedade, dificuldades na vida social, problemas de visão e maior risco de sobrepeso já na primeira infância. Situações que antes apareciam em adultos começam a brotar cedo demais.
Elena Bozzola, responsável pela Comissão de Dependências Digitais da SIP, alerta que muitas vezes o smartphone é entregue às mãos dos pequenos com superficialidade, sem a consciência das consequências. O uso excessivo de telas contribui para uma alimentação distraída e emocional — quando a criança come diante da tela, torna-se mais vulnerável a impulsos publicitários e menos sensível aos sinais de fome e saciedade. Esses hábitos podem resultar em sobrepeso e obesidade, com impacto duradouro na saúde.
Em 2018, a SIP publicou recomendações sobre o uso de dispositivos digitais em crianças, posteriormente ampliadas aos adolescentes. Os pediatras explicam que, no cérebro dos adolescentes, podem ocorrer alterações análogas às observadas em dependências de substâncias: mudanças na substância cinzenta e nas conexões neuronais. Ao impor a interrupção do uso, muitos jovens exibem ansiedade, inquietude e a chamada “fear of missing out” — o medo de perder algo.
As orientações da SIP, traduzidas para um plano familiar simples, são diretas: nada de telas antes dos 2 anos; evitar aparelhos durante as refeições; não usar dispositivos antes de dormir; e, idealmente, não dar um celular pessoal antes dos 13 anos. “Entregar um aparelho sem educação digital é como dar um carro sem carteira de motorista”, diz Bozzola, lembrando que o diálogo é o alicerce dessa construção.
Mais do que ferramentas de controle parental, é preciso um verdadeiro “family plan”: regras partilhadas, sem smartphone à mesa, sem notificações no criado-mudo e com mais tempo ao ar livre. A respiração da cidade, as atividades ao ar livre e os rituais familiares tornam-se antídotos para o excesso de estímulos digitais.
Na prática, pequenas escolhas diárias — propor brincadeiras sem telas, ler juntos, caminhar ao entardecer — funcionam como uma colheita de hábitos que nutre o corpo e a mente. Prevenir significa adiar o contato quando possível, educar com empatia e cultivar alternativas que reforcem a interação, a visão saudável e o sono restaurador.
O vodcast oferece orientações úteis e acessíveis para famílias que desejam semear um uso mais consciente das tecnologias. Afinal, cuidar da infância é também zelar pelo ritmo natural do crescimento — a cada estação, uma nova oportunidade de reencontrar o equilíbrio entre o mundo digital e o calor humano.






















