Observando a respiração das cidades e as pequenas rotinas que moldam nosso bem-estar, encontro um tema tão cotidiano quanto delicado: a constipação. Um novo relatório europeu mostra que ela não é um incômodo isolado, mas uma sombra que percorre a vida de muitos italianos.
Segundo o estudo Constipation State of the Nation, conduzido pela Focaldata a pedido de Norgine – MoviGo, 86% dos italianos relataram ter sofrido de stitichezza (constipação) no último ano. O levantamento ouviu 16.734 pessoas em nove países; na Itália foram entrevistadas 2.086 pessoas. Esses números desenham um mapa onde o problema se espalha como uma maré que insiste em não ceder.
O relatório revela ainda que 72% das pessoas têm dificuldade para identificar corretamente os sintomas principais da constipação intestinal, e mais de 42% sabem que a falta de tratamento pode tornar ainda mais difícil a evacuação. Existe, por trás das estatísticas, um outro fator que alimenta o problema: o silêncio. Aproximadamente 29% dos entrevistados dizem sentir vergonha de falar sobre sua saúde intestinal com familiares ou amigos.
Essa resistência ao diálogo é reveladora — em muitos lares e cafés italianos, é mais fácil conversar sobre política, dinheiro ou religião do que sobre hábitos intestinais. O Dr. Danilo Lembo, diretor médico da Norgine Italia, destaca a urgência de derrubar esse estigma: “É fundamental normalizar as conversas sobre a saúde intestinal. Ignorar os primeiros sinais de constipação só torna mais difícil restabelecer a dinâmica saudável do corpo.”
Há também uma geografia do desconforto: o Sul da Itália apresenta a maior incidência de pessoas que sofrem frequentemente de constipação — 26% relatam ter sentido o problema “sempre” ou “frequentemente” no último ano, contra 19% no Noroeste. É como se a paisagem e os ritmos locais influenciassem o tempo interno do corpo.
O impacto vai além do físico. O estudo mostra que cerca de 31% dos italianos já perderam dias de trabalho por conta da constipação, e 62% relatam que o problema afeta negativamente seu rendimento durante o expediente. Entre esses, quase um terço (32%) registra aumento significativo do estresse. A constipação, portanto, é uma folha que caiu sobre a produtividade e a tranquilidade do dia a dia.
A saúde intestinal é parte da colheita do bem-estar, e o primeiro passo é tirar o tema da sombra do constrangimento.
Este relatório nos lembra que a constipação intestinal não é apenas uma questão médica, mas também social. Ao permitir que o assunto circule, como o ar que entra em uma praça ao amanhecer, damos à comunidade a chance de recompor hábitos e restaurar o conforto perdido.
Dados citados: pesquisa Focaldata para Norgine – MoviGo; amostra total 16.734 participantes (Itália: 2.086). Percentuais mencionados foram extraídos do relatório divulgado publicamente.






















