“É importante trabalhar o plano físico, mas se a cabeça não funciona, os resultados não chegam. A cabeça no esporte é fundamental.” Assim resumiu Yuri Confortola sua mensagem ao público presente em Bormio.
O comentário, direto e sensível, foi feito durante o convegno da SIN – Società Italiana di Neurologia Lombardia, organizado em Bormio no âmbito da Olimpiade Culturale Milano – Cortina 2026. Medalhista olímpico em Pequim 2022, Confortola trouxe à conversa a experiência de quem conhece o esforço cotidiano e a respiração de uma pista competitiva — aquela respiração que, como a de uma cidade ao amanhecer, guia o ritmo do corpo e da mente.
O que ele enfatizou, com a leveza de um observador que aprendeu com as estações, é que a preparação física é apenas a metade do caminho. A outra metade pertence ao terreno mais sutil: o pensamento, as emoções, a rotina mental que prepara o atleta para o instante decisivo. Numa metáfora agrícola, é como cuidar do solo antes da colheita: sem raízes saudáveis, a safra não floresce.
No encontro em Bormio, palco que combina altitude e tradição esportiva, especialistas em neurologia e atletas compartilharam percepções sobre como o cérebro responde ao treino, ao cansaço, ao estresse de competição e às pequenas rotinas que sustentam a recuperação. Confortola, com a sensibilidade de quem viveu pressões olímpicas, lembrou que atitudes simples — descanso regular, rotina alimentar estável, apoio emocional — são sementes que alimentam a força mental.
Para quem lê do lado de fora das pistas, a mensagem ressoa como um convite: cuidar da saúde mental não é um luxo, é técnica. É aprender a escutar o tempo interno do corpo, a calibrar expectativas e a transformar ansiedade em foco. Em tempos em que grandes eventos como a Milano-Cortina 2026 costumam exaltar velocidade e resultados, ouvir a fala de um atleta é recuperar a dimensão humana do feito.
Como repórter e observador apaixonado pelas paisagens que moldam hábitos, vejo nessa fala uma ponte entre o movimento e o silêncio: o gesto repetido no gelo ou na neve, e o momento íntimo em que a mente se prepara para ele. A Olimpiade Culturale em Bormio não foi apenas uma troca de dados técnicos; foi um lembrete poético de que o desempenho nasce ao mesmo tempo do corpo e da paisagem interior.
Ao final, Confortola deixou um apelo aos jovens atletas e aos cuidadores: olhem para a cabeça com o mesmo respeito que dedicam aos músculos. A preparação mental é uma arte cultivada dia a dia, e, como toda arte, exige paciência e presença.
Assinado: Alessandro Vittorio Romano, para Espresso Italia — atento às estações do corpo e da cidade, celebrando as raízes do bem-estar humano em cada notícia.






















