Por Alessandro Vittorio Romano — Em um momento em que a cidade segura a respiração como quem ouve a maré mudar, o comitê de especialistas reunido no Ospedale Monaldi, em Nápoles, manifestou parecer contrário à realização de um novo transplante de coração em um menino de dois anos e meio. O caso — já marcado pela dor e pela perplexidade — remonta ao transplante realizado em dezembro, quando o órgão implantado posteriormente apresentou dano.
Segundo nota divulgada pela Azienda Ospedaliera dei Colli, a avaliação interdisciplinar contou com profissionais vindos das principais estruturas italianas dedicadas ao transplante cardíaco pediátrico. Foi um encontro técnico e humano, feito à beira do leito e fundamentado nos exames mais recentes: a conclusão clínica, replicada em voz coletiva, foi direta — “le condizioni del bambino non sono compatibili con un nuovo trapianto”. Em português: as condições do menino não seriam compatíveis com um novo procedimento.
Essa decisão foi comunicada formalmente pela Direção Estratégica ao Centro Nazionale Trapianti, e a própria instituição frisou ter mantido a família informada e assistida durante todo o processo. A nota expressa também a proximidade institucional com os pais, que atravessam um tempo de grande sofrimento e incerteza.
Enquanto a cidade e os profissionais cuidam do presente, chegaram ao Ospedale Monaldi inspetores enviados pelo Ministério da Saúde para recolher documentação relativa ao episódio do coração danificado. Trata-se de uma etapa de verificação e transparência: a coletânea de papéis e laudos busca entender fatos, responsabilidades e procedimentos, como quem examina a raiz de uma árvore para descobrir por que ela tombou.
Não há, por ora, anúncio de novos caminhos terapêuticos públicos; tampouco elementos que permitam prever desdobramentos clínicos além do que já foi comunicado. O que permanece é a urgência do cuidado — físico e emocional — em torno de uma criança pequena e de sua família. É um momento em que cada gesto do hospital, cada palavra dos especialistas, ajuda a compor um cenário de respeito e de busca por respostas.
Como observador que traduz o compasso das estações em hábitos de vida e saúde, vejo neste episódio a necessidade de uma escuta ampla: a medicina, por mais técnica que seja, caminha com a paisagem humana que a envolve. Há, aqui, o inverno da incerteza e a esperança do amanhecer, que exige paciência, ciência e solidariedade.
A notícia segue em desenvolvimento. Mantemos acompanhamento atento e respeitoso, como se estivéssemos a ouvir o pulso de uma cidade que, mesmo entre nuvens, busca caminhos de cuidado e responsabilidade.






















