Como quem observa a respiração lenta de uma cidade ao amanhecer, acompanho com atenção o movimento que busca transformar políticas em cuidado concreto. Em Roma, durante o congresso Odontoiatria speciale nel soggetto fragile, Francesco Riva, conselheiro do Cnel e coordenador do grupo de trabalho ‘Promoção dos estilos de vida e educação para a saúde’, reafirmou uma meta clara: imprimir em lei a obrigação de tutela para os pacientes frágeis, com foco especial na saúde odontológica.
O evento, promovido pela Sioh (Sociedade Italiana de Odontostomatologia para o Handicap), em parceria com a FedEmo (Federação das Associações de Hemofílicos) e o Cnel, desenha um mapa prático: inserir a odontologia especial no Plano Nacional de Prevenção (Pnp) e criar um tavolo tecnico nazionale dedicado à prevenção e aos cuidados odontológicos dos sujeitos frágeis. É uma colheita de esforços que já começa a dar seus primeiros frutos.
Riva destacou também a participação da Unidi (União Nacional das Indústrias Dentárias Italianas), que se aliou à iniciativa: “Em maio, durante o Expo Dental, que deve reunir cerca de 40 mil pessoas, teremos nosso espaço para falar de saúde e trabalho”. É uma imagem que gosto de guardar: a praça grande de um evento como um terreno fértil onde se semeiam políticas que gerem inclusão.
Um ponto sensível que Riva ressaltou toca o coração do tema: muitos pacientes frágeis — citando exemplos como pessoas com coagulopatias congênitas —, quando tratados com terapias adequadas, vivem com condições próximas das de qualquer cidadão e, por isso, a entrada no mundo do trabalho torna-se também uma forma de terapia. A metáfora me vem natural: permitir que alguém volte a trabalhar é como devolver luz a uma janela que havia sido fechada.
A proposta de transformação política não é apenas formalidade administrativa. Trata-se de reconhecer que a saúde oral é parte integrante do bem-estar geral e que políticas públicas precisam abraçar essa visão, especialmente para quem vive em condições de fragilidade. A ideia de um tavolo técnico nazionale corresponde a construir raízes sólidas: reunir especialistas, associações, indústria e representantes institucionais para desenhar protocolos de prevenção, acessibilidade e tratamento continuado.
Vejo nesse projeto o pulsar de uma paisagem que desperta: políticas que antes eram possíveis apenas num sonho ganham contornos práticos. Com a colaboração de entidades como Sioh, FedEmo, Unidi e o apoio parlamentar indicado pelo on. Loizzo, a proposta caminha para sair do papel.
Ao leitor que acompanha esse percurso, proponho uma imagem final — a da colheita de hábitos saudáveis: investir em odontologia especial é semear dignidade, saúde e inclusão social. É transformar o tempo interno do corpo e da comunidade, para que todos, sobretudo os mais frágeis, possam encontrar um ambiente de cuidado e oportunidades reais.





















