ROMA, 20 de fevereiro de 2026 — Em um gesto que mistura técnica, memória e afeto, a chef estrelada Caterina Ceraudo, do restaurante Dattilo em Strongoli (KR), entrou em cena nos corredores do Policlinico Gemelli para preparar um prato pensado para quem enfrenta a doença. A iniciativa aconteceu no âmbito de “Special Cook – chef in corsia”, um projeto solidário promovido pela Associazione Jole Santelli e Officine Buone, em parceria com a Fondazione Giovanni Scambia, Loto – uniti per le donne contro i tumori e a Fondazione Policlinico Universitario Agostino Gemelli IRCCS Università Cattolica del Sacro Cuore.
Naquele dia, a cozinha da enfermaria ganhou os aromas cítricos da Calábria: o prato preparado foi um delicado bacalhau ao bergamota com batatas, cebolinha e azeite extra-virgem. Uma receita que, nas mãos de Ceraudo, se transformou em cuidado — não só pela combinação de sabores, mas pela atenção às propriedades dos ingredientes e às necessidades das pacientes dos setores de ginecologia oncológica.
Como guia sensível dessa experiência, Caterina Ceraudo explicou cada etapa do preparo, destacando por que escolheu ingredientes simples e nutritivos. Entre garfadas de técnica e lembranças do sul, a chef disse que foi um momento muito especial: “Hoje dei sorrisos, sabores e os cheiros da nossa amada Calábria”. Ela acrescentou que, seguindo o pensamento do professor Scambia, a nutrição pode ser um instante de lazer e, ao mesmo tempo, uma maneira de cuidar de si — um encontro entre o tempo interno do corpo e a respiração da cidade.
Para ampliar o alcance desse gesto, cada paciente recebeu um pequeno livreto com a receita e instruções para reproduzi-la em casa ou em companhia de familiares. O material foi pensado para ser prático, sensorial e reconfortante: uma colheita de hábitos que incentiva o prazer de comer mesmo em fases delicadas.
O projeto, dedicado a trazer atenção e conforto às mulheres em tratamento, combina a delicadeza da alta gastronomia com a simplicidade necessária em contextos hospitalares. Em vez de um evento de ostentação, a ação se pareceu com uma horta urbana: raízes profundas — as memórias regionais — nutrindo o presente.
Como observador e amante dos ritmos italianos, vejo nesta iniciativa a sutileza de transformar a refeição em ritual de bem-estar. A presença de uma chef estrelada em uma ala do hospital é uma promessa de que o cuidado pode ter sabor, que o alimento é também companhia, e que, entre um tratamento e outro, cabe colher pequenas alegrias. É a prova de que a cozinha, quando generosa, é também cura.
Redação Espresso Italia — Alessandro Vittorio Romano






















