Assinada por Alessandro Vittorio Romano para Espresso Italia — Em uma carta enviada aos mais altos escalões do Executivo italiano, a associação Carta di Siena solicitou esclarecimentos públicos sobre a próxima campanha de vacinação contra a influenza aviária. Endereçada ao Presidente do Conselho, On. Giorgia Meloni, e ao Ministro da Saúde, Prof. Orazio Schillaci, a nota parte de uma preocupação ampla: que as instituições expliquem, com fundamento científico e transparência, se o soro previsto é feito por tecnologia mRNA e quais seriam os potenciais riscos para humanos e animais.
Como quem observa os ciclos das estações e as correntes que movem a vida das cidades, a Carta di Siena — que representa cerca de 36.000 associados e se define como um “patto tra medici e cittadini” para reinserir a ética hipocrática no centro das decisões sanitárias — pede que a discussão seja colocada em luz natural, sem sombras de dogmatismo científico nem apagões comunicativos.
No documento, a associação recorda que, em algumas regiões como o Vêneto, a campanha vacinal contra a influenza aviária está programada para iniciar nos meses próximos, e que já foi apresentada uma interpelação por conselheiros regionais para obter respostas escritas. A inquietação nasce também de declarações prévias de “especialistas” — muitas vezes associados a potenciais conflitos de interesse — que teriam feito afirmações categóricas como “o vacino rimane nel sito di iniezione” (o vacina permanece apenas no local da injeção) ou que “o mRNA se degrada em poucas horas”.
A Carta di Siena lembra que evidências recentes colocam nuances nessas afirmações: o estudo de Chen et al. (2025) é citado como indicativo de permeabilidade placentária ao mRNA-1273 (Moderna) e de possível imunogenicidade fetal; outras pesquisas, mencionadas na carta, discutem alterações observadas em tecidos como o músculo cardíaco e relatos de miocardite em percentuais pequenos mas relevantes quando a vigilância farmacológica é ativa. Cita-se também a literatura que trata da persistência e biodistribuição do material vacinal em modelos biológicos.
Em tom de apelo, os signatários solicitem que o governo e as autoridades de saúde esclareçam, entre outros pontos: a natureza tecnológica do soro (confirmando se é ou não à base de mRNA), dados relativos à biodistribuição e permanência do produto no organismo, potenciais efeitos sobre a gestação e sobre espécies animais, e a racionalidade da campanha em termos de risco-benefício.
Como observadores atentos do cotidiano — que sentimos como a respiração das paisagens, onde cada estação redesenha as rotinas do corpo — pedimos que o diálogo público seja conduzido com honestidade e responsabilidade. A Carta di Siena não busca alarmar, mas cultivar a clareza, para que cidadãos e profissionais possam tomar decisões informadas, como numa colheita consciente de hábitos que favoreçam o bem-estar coletivo.
O apelo encerra-se com o convite ao confronto científico aberto e com a ressalva de que a ausência de evidência não pode ser transformada em evidência de ausência: um princípio que toca o cerne do método científico e do cuidado médico.
Nota: a carta e os estudos citados formam a base das questões levantadas; a associação pede respostas públicas e documentação técnica que subsidiem a campanha vacinal em curso.





















