Por ocasião da exibição do documentário Parole in cerca d’autore na Casa del Cinema, em Roma, Marina Panfilo, diretora da Fondazione MSD, reafirmou um pensamento que soa como um sopro íntimo no tecido social: os caregivers são uma riqueza do nosso sistema, mas ainda caminham sem uma legislação dedicada que os proteja.
«Há algum tempo decidimos apoiar, através de várias iniciativas, a conscientização sobre temas fundamentais para a sociedade e para a saúde, como o dos caregivers», afirmou Panfilo durante a sessão. O documentário, assinado por Donatella Romani e Roberto Amato e realizado com o contributo não condicionado da própria Fundação, joga luz sobre figuras muitas vezes invisíveis: aquelas que se dedicam ao cuidado de um familiar com deficiência, fragilidade ou doença crônica.
Disponível na Amazon Prime Video, a obra convida a uma reflexão sensível sobre as batalhas diárias desses cuidadores — as dificuldades psicológicas, as barreiras burocráticas e o difícil equilíbrio entre assistir a quem se ama e manter a própria vida profissional e familiar. Na Itália, são mais de 7 milhões de caregivers, dos quais cerca de 75% são mulheres, sem contar o número crescente de jovens que, em nome do afeto, adiam o próprio percurso de crescimento.
Como observador atento dos ritmos humanos, penso na cena do cuidador como uma paisagem em que cada gesto é uma estação: há o outono da resignação, o verão do afeto intenso, o inverno das incertezas e a primavera das pequenas recompensas. Panfilo sublinha que a Fundação, no seu vigésimo aniversário, quis justamente mostrar «como se dá o apoio e o sustento a quem necessita de assistência», tocando aquilo que vai além das estatísticas — o amor que circula entre quem dá e quem recebe cuidados.
Ao longo do projeto, a Fondazione MSD encontrou associações e relatos comoventes, inclusive de jovens cuidadores que sacrificam tempo da própria vida para acompanhar um parente. Essas histórias transformam a discussão: não se trata apenas de políticas públicas, mas de reconhecer os ritmos de uma sociedade que respira enquanto cuida. É urgente, conclui Panfilo, que essa figura deixe de ser apenas uma âncora silenciosa e passe a contar com instrumentos legais e sociais que a apoiem.
O documentário funciona como um espelho e uma janela — espelho porque reflete narrativas íntimas, janela porque amplia o debate público. Ver essas vidas projetadas na tela é sentir o pulso da cidade e do lar ao mesmo tempo: uma respiração que nos pede reconhecimento e ações concretas. A iniciativa da Fundação, mais do que comemorar duas décadas, é semear atenção e colher políticas que sustentem o cuidado.
Para quem deseja compreender melhor esse universo, Parole in cerca d’autore está disponível em streaming, convidando-nos a ouvir as vozes daqueles que, no silêncio cotidiano, mantêm acesa a chama do cuidado.





















