Caregiver em oncologia: presenças decisivas que vão além dos medicamentos
ROMA, 03 de fevereiro de 2026 — Em torno do coração do cuidado oncológico pulsa uma presença muitas vezes invisível, porém fundamental: o caregiver familiar. Segundo estimativas referidas pelo Collegio italiano dei primari oncologi medici ospedalieri (Cipomo), cerca de 3 milhões de pessoas na Itália dedicam-se ao cuidado de familiares afetados por tumores. Em termos mais amplos, o Istat aponta que são mais de 7 milhões os italianos que prestam assistência regular sem remuneração formal.
Esses números são solo fértil para compreender que o tratamento do câncer não é feito apenas de inovação farmacológica, mas também da continuidade de gestos, rotinas e apoio emocional — a verdadeira respiração da casa que mantém o dia a dia do paciente. A literatura científica internacional revela que 61% dos caregivers oncologicos enfrentam uma carga assistencial de nível médio-alto; mais de 70% prestam assistência por mais de seis meses; até 48% manifestam um burden psicológico significativo; e entre 25% e 29% acabam por alterar suas atividades profissionais devido às necessidades de cuidado.
Na véspera do Dia Mundial contra o Câncer (4 de fevereiro), o Cipomo chama atenção para essa dimensão humana imprescindível. Em nota, os oncologistas hospitalares destacam que reconhecer formalmente a figura do caregiver familiar é um passo necessário para construir um sistema de direitos e tutelas que acompanhe tanto o paciente quanto quem o assiste.
O tema entra também na agenda pública: o projeto de lei aprovado pelo Conselho de Ministros em 12 de janeiro pretende justamente oficializar o reconhecimento do caregiver e estabelecer garantias legais. Mais do que rótulos, trata-se de oferecer ferramentas práticas — apoio psicológico, formação específica, medidas de conciliação laboral e redes de alívio — para que a presença familiar não seja um fardo escondido, mas um recurso qualificado dentro do percurso terapêutico.
Como observador atento do cotidiano, vejo nessa pauta uma paisagem de dupla colheita: de um lado, os avanços técnicos e as drogas que transformam prognósticos; de outro, as raízes do bem-estar que nascem do afeto, da rotina compartilhada e da proteção social. O desafio é harmonizar essas estações, dando ao caregiver o reconhecimento, o suporte e a dignidade que o seu papel exige.
O apelo do Cipomo é claro: políticas públicas e culturas clínicas devem integrar formalmente os cuidadores no processo terapêutico. Só assim será possível cuidar do corpo e do tempo interno das famílias, permitindo que a paisagem do tratamento oncológico respire com mais leveza e esperança.
Alessandro Vittorio Romano — voz de saúde, clima e estilo de vida da Espresso Italia






















