Sou Alessandro Vittorio Romano, e quando observo a paisagem humana em volta da cura, vejo ciclos que se assemelham à mudança das estações: há um inverno da doença que cede ao despertar da recuperação. É esse momento de recomeço que o projeto Da qui in avanti. Sei storie, un viaggio che ricomincia, idealizado por Gilead Kite, busca traduzir em imagens. Em colaboração com jovens fotógrafos do Istituto italiano di fotografia e com o patrocínio da AIL e da associação La lampada di Aladino Ets, seis rostos se tornam retratos de coragem e futuro: Americo, Aurelia, Eliana, Ida, Renato e Luigi.
Cada fotografia narra uma história que começa com o diagnóstico de um tumor oncoematológico e se estende para além do tratamento, até a retomada dos planos e dos pequenos rituais da vida. Essas imagens mostram que, desde que as terapias CAR‑T chegaram à Itália, há cerca de seis anos, a medicina ganhou uma nova paleta — uma imunoterapia celular que transforma as próprias células T do paciente para reconhecer e combater o câncer. O efeito não é apenas clínico: é também existencial. Através das lentes, percebo uma “colheita de hábitos” que volta a florescer, um tempo interno do corpo que volta a sincronizar-se com a respiração da cidade.
Os promotores do projeto destacam algo que muitos de nós sentimos ao circular entre hospitais e ateliers: a terapia não se limita a um frasco ou a um protocolo. A arte entra como um instrumento potente de cura — não para substituir a ciência, mas para dar forma às emoções, recuperar a identidade e permitir que a dor e a esperança coabitem de maneira transformadora. As narrativas visuais ajudam a sensibilizar o público sobre as novas possibilidades terapêuticas e a humanizar o discurso médico, mostrando rostos que planejam o futuro com olhos renovados.
Nesse conjunto de retratos, vemos a intimidade de quem reconstrói a vida: gestos simples — um café pela manhã, um passeio no parque, as conversas familiares — tornam-se marcos de uma travessia. A força dessas imagens reside na autenticidade: não há heroísmo artificial, apenas a presença lenta e firme de quem reaprende a caminhar. A arte, nesse sentido, funciona como um mapa emocional, revelando as veredas possíveis depois de uma tempestade.
Ao compartilhar essas seis histórias — de Americo a Luigi — o projeto convida à reflexão coletiva sobre o que significa cuidar hoje. Para quem acompanha a evolução das terapias CAR‑T, é também a confirmação de que avanços científicos podem restaurar a possibilidade de futuro. Para a cidade e para as famílias, é um lembrete de que a cura passa pela ciência, pelo acolhimento e pela expressão criativa.
Se você busca entender como a medicina e a arte se entrelaçam no cotidiano, estas imagens são uma janela sensível: oferecem não só informação sobre tratamentos emergentes, mas a visão de vidas que recomeçam, como uma paisagem que renasce na primavera após um longo inverno.






















