Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio à respiração lenta das cidades e às estações que redefinem nossos hábitos, surge um alerta que não podemos ignorar: o câncer de pulmão continua a avançar na Itália, apesar dos esforços públicos. Foi essa a mensagem trazida por Giulia Veronesi, membro do Comitato Lotta al fumo da Fondazione Umberto Veronesi, durante a apresentação, em Milão, da nova campanha nacional contra o tabagismo.
Veronesi recordou que, mesmo com normas mais restritivas e inúmeras campanhas antitabagismo, cerca de um quarto da população adulta italiana ainda fuma. Esse número é como uma brasa que teima em permanecer sob as cinzas: visível e perigosa. O resultado prático dessa prevalência é evidente — o câncer de pulmão permanece a principal causa de morte entre os homens e está em aumento entre as mulheres.
A campanha, apresentada em Milão e promovida por Aiom (Associazione Italiana di Oncologia Medica), Fondazione Airc para a pesquisa sobre o câncer, a Fondazione Umberto Veronesi e a Fondazione Aiom, pretende falar com todos os cidadãos. É uma iniciativa que busca reacender consciência coletiva, como se regássemos uma plantação que começa a perder suas folhas: não basta apenas plantar a semente das mensagens — é preciso cuidar do solo político, social e cultural que sustenta o hábito de fumar.
Na minha observação sensível do cotidiano italiano, percebo que as mudanças de comportamento seguem ritmos sazonais e sociais. Proibir espaços não é o mesmo que transformar rotinas; as campanhas, ainda que essenciais, muitas vezes atingem apenas a superfície. O combate ao tabagismo exige estratégias que interfiram na raiz: apoio psicossocial, políticas de redução de demanda, intervenções dirigidas às faixas etárias mais jovens e abordagens que entendam o tabagismo como um fenômeno cultural e relacional.
Veronesi e as instituições envolvidas apontam para um compromisso renovado: mais do que anúncios, campanhas que ofereçam caminhos concretos de cessação, acessibilidade a tratamentos e programas de prevenção que alcancem grupos vulneráveis. Porque, na colheita de hábitos, precisamos também ensinar a colher alternativas — desde ambientes urbanos que favoreçam a qualidade do ar até redes de suporte que ofereçam calor humano.
O cenário é claro e exige ação. O câncer de pulmão não é apenas um dado estatístico; é um reflexo de escolhas sociais e políticas. Enquanto a cidade inspira e expira, nós, como sociedade, precisamos aprender a respirar melhor — redescobrir a paisagem do bem-estar que permite que menos pessoas iniciem e mais pessoas deixem de fumar.
Esta nova campanha nacional é um passo importante, mas, como bem disse Giulia Veronesi, sozinha não basta. É hora de unir políticas, ciência, cuidado e sensibilidade cultural para virar a maré. A mudança começa com pequenas respirações, coletivas e conscientes.

















