Por Alessandro Vittorio Romano — Com 40.192 novas diagnósticos na Itália em 2024, o câncer de próstata segue sendo o tumor mais frequente entre os homens. Num momento em que ainda não existe um programa nacional coordenado para essa neoplasia, Lombardia e Basilicata despontam como as primeiras regiões a implementar um percurso estruturado e gratuito de screening. A iniciativa, apresentada pela Fondazione Onda, reforça a necessidade de uma regia nacional que harmonize práticas e recursos.
No último encontro interregional sobre “Tumore della prostata e raccomandazioni del Consiglio dell’Unione europea. Prevenzione e diagnosi precoce”, participaram representantes e stakeholders de várias regiões — entre elas Campania, Emilia Romagna e Veneto — onde as experiências da Lombardia e da Basilicata foram destacadas como exemplos virtuosos em construção.
O modelo lombardo: caminho em camadas e gestão digital
Ativado em novembro de 2024 e coordenado pelas Ats (Agenzie di tutela della salute), o programa da Lombardia articula-se em vários níveis. O ponto de partida é a resposta a um questionário online disponível no fascicolo sanitario elettronico. Quem é considerado elegível recebe um voucher com validade de 30 dias para realizar gratuitamente o exame de PSA (antígeno prostático específico). Nos casos com fatores de risco, há encaminhamento para visita urológica e, quando indicado, aprofundamento por ressonância magnética e biópsia.
Os números atualizados a dezembro de 2025 já mostram um forte interesse público: cerca de 26 mil cidadãos preencheram o questionário; 20.444 foram considerados elegíveis e receberam o voucher; 6.996 fizeram o teste de PSA; 1.122 foram encaminhados para consulta urológica e 98 ressonâncias magnéticas foram propostas. A adoção de critérios claros (PSA acima de 3, história familiar, anamnese) permitiu concentrar recursos nos casos de real risco, minimizando desperdícios e atrasos.
Em dezembro de 2025 a região lançou o Screen-Up, um gestor único regional para todos os rastreamentos oncológicos. Inicialmente ativado para o percurso de próstata, o sistema será estendido em 2026 para gerir todos os programas de screening ativos na Lombardia. A ampliação da faixa etária está em curso: de 50-59 anos (ampliação já aprovada em janeiro de 2026 pela delibera di Giunta Regionale 5593 del 30/12/2025) para incluir até os 69 anos até o final de 2026.
Basilicata: plataforma dedicada e percurso integrado
Lançado em junho de 2025, o percurso de rastreamento da Basilicata segue uma lógica semelhante: questionário online, teste de PSA, visita urológica e ressonância magnética biparamétrica quando necessário. Gerenciado por uma plataforma informática dedicada no site da azienda ospedaliera regionale San Carlo, o programa é dirigido à população entre 45 e 70 anos.
Embora os dados completos da Basilicata não tenham sido todos divulgados em detalhe, a experiência regional mostra como uma plataforma local integrada pode atuar como semente — uma raiz que nutre práticas de prevenção e encaminhamento —, pronta para ser escalada por uma coordenação nacional.
Por que é preciso uma regia nacional?
A Fondazione Onda tem reunido, desde 2023, Regioni e stakeholder para desenhar um modelo nacional coordenado e sustentável de prevenção e diagnóstico precoce. As experiências de Lombardia e Basilicata servem de laboratório: demonstram que protocolos claros, gestão digital e critérios de elegibilidade reduzem atrasos e aumentam a eficiência. Agora, a meta é transformar essas colheitas regionais em políticas nacionais, de forma a garantir equidade de acesso e interoperabilidade entre sistemas.
Como observador da vida cotidiana italiana, enxergo esses projetos como o despertar da paisagem da saúde: quando a terra é bem preparada — com dados, critérios e plataformas —, a colheita de prevenção pode ser mais farta e menos desigual. Resta que a respiração do sistema nacional sincronize esses ritmos, para que homens em toda a Itália tenham acesso a um percurso claro e oportuno de cuidado.
Seguiremos acompanhando a evolução dessas experiências, atentos ao desenvolvimento do Screen-Up e às decisões políticas que podem transformar pilotos promissores em políticas públicas nacionais.





















