Por Alessandro Vittorio Romano — Hoje, em Milão, iniciou-se uma iniciativa que soa como um sopro firme na respiração das praças: uma campanha para elevar o custo dos produtos de tabaco e de inalação de nicotina. A proposta, apresentada por organizações como a Fondazione Umberto Veronesi, a AIOM (Associação Italiana de Oncologia Médica), a Fondazione AIOM e a Fondazione AIRC, tem por objetivo tornar o fumo menos acessível, sobretudo para os jovens e para quem tem menos acesso à prevenção e aos cuidados.
Nas palavras de Giulia Veronesi, membro do Comitê de Luta ao Fumo da Fondazione Veronesi, trata-se de uma verdadeira iniciativa de saúde pública: “A medida reduz de forma importante a exposição ao fumo, o consumo de tabaco e o número de fumantes”, afirmou durante o encontro com a imprensa convocado para o lançamento da recolha de assinaturas por uma proposta de lei de iniciativa popular.
Os números não deixam espaço para suavizações. O tabaco é responsável por cerca de 93 mil mortes por ano na Itália. O prejuízo não se limita ao pulmão: as cigarretes aumentam o risco de tumores do cavo oral, garganta, esôfago, bexiga e rins, além de serem determinantes em doenças cardiovasculares — como infarto e AVC — e em enfermidades respiratórias crônicas, como bronquite crônica e enfisema.
Apesar das normas e campanhas mais restritivas dos últimos anos, cerca de um quarto da população adulta italiana continua fumando. O câncer de pulmão aumenta entre as mulheres e segue como principal causa de morte entre os homens. Diante desse quadro, Veronesi sublinha que “é claro que devemos usar todas as ferramentas possíveis que favoreçam a cessação”.
As evidências vindas de além-fronteiras inspiram o caminho proposto. Pesquisas realizadas pela Fondazione Veronesi em parceria com o Cergas da Bocconi mostram que o aumento do preço das cigarros reduz a exposição ao fumo e o consumo. Exemplos práticos: em países como França e Irlanda o preço por maço supera os 10 euros há anos — e os resultados são visíveis.
Com base nessas constatações, as fundações e sociedades italianas propõem a coleta de assinaturas para uma lei que introduza uma taxa especial fixa de pelo menos 5 euros sobre todos os produtos de fumo e de inalação de nicotina, incluindo as novas gerações de produtos, como os cigarros eletrônicos e o tabaco aquecido. A meta é tanto reduzir o consumo quanto aliviar a carga econômica do sistema de saúde, abatido pelos altos custos de tratamentos de doenças crônicas relacionadas ao tabaco.
“Como Fondazione Veronesi, empenhamo-nos a usar todos os nossos canais para apoiar e difundir esta campanha”, concluiu Veronesi, com a esperança de ver a proposta discutida no Senado e nas assembleias competentes. Numa paisagem onde os hábitos crescem como espécies, esta ação busca cultivar uma colheita mais saudável de rotinas — reduzir o fumo é também cuidar da cidade como se cuida de um jardim, mudando a irrigação dos comportamentos para permitir um novo florescer.
Para quem observa o ritmo do cotidiano italiano, esta campanha é um lembrete de que políticas públicas bem colocadas podem entrar na rotina como a respiração da cidade: sutis no começo, transformadoras com o tempo.

















