Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário onde a tecnologia e o corpo humano conversam como duas estações que se tocam na paisagem, a inteligência artificial já não é apenas promessa: é matéria do dia a dia clínico. É essa a mensagem trazida por Luca Brunese, presidente eleito da Sirm (Società italiana di radiologia medica e interventistica), durante congresso realizado em Milão, no Centro diagnostico italiano (Cdi), em colaboração com a Fondazione Bracco — evento ocorrido na Giornata internazionale delle donne e delle ragazze nella scienza.
“Hoje estamos diante do segundo nível da relação entre a área médica e a inteligência artificial”, disse Brunese, apontando que os pilares essenciais desse novo patamar são o conhecimento, a responsabilidade e a participação. “No início, muitos médicos — e os radiologistas em particular — aceitaram as soluções que a indústria oferecia sem se perguntar o que realmente havia por trás. Agora a fase da compreensão avançou, e junto com ela cresce a responsabilidade.”
Brunese alertou para um fenômeno técnico com impacto humano: as chamadas alucinações da IA — ou seja, erros de interpretação — que, segundo ele, podem atingir até 15% nas aplicações práticas dos programas. “O papel do radiologista é crucial para identificar e corrigir possíveis falhas”, afirmou, lembrando que o olhar humano permanece como uma espécie de bússola quando os algoritmos perdem o rumo.
O presidente eleito da Sirm ressaltou também que a diagnóstica por imagem é a área que mais tempo vem convivendo com a inteligência artificial, muitas vezes sem que todos percebam. “Hoje, todas as máquinas de ressonância magnética usam IA para reduzir a duração do exame e, assim, diminuir o desconforto do paciente. A arquivação de dados também passa por metodologias inteligentes. Sem saber, os radiologistas foram os primeiros a usar essas ferramentas”.
Contudo, o debate avançou para aplicações mais sensíveis: não se trata apenas de reprocessar imagens, mas de modelos que interpretam e predizem resultados clínicos. “Estamos nos anos da grande virada. O futuro dirá se a IA fará a diagnóstica por imagem dar o salto de qualidade prometido”, ponderou Brunese.
Sobre a expectativa de automatizar a elaboração de laudos, Brunese foi taxativo: “Cometemos o erro de pensar que a IA servirá como um sistema de laudo automático. Não será assim, porque o modelo tende a não reconhecer casos difíceis, e a interpretação de imagens ambíguas fica excessivamente simplificada”. Em vez disso, prevê-se um cenário em que a tecnologia reduz o impacto do trabalho do radiologista, permitindo que ele concentre sua atenção nas partes mais relevantes e interessantes do exame — um futuro que, segundo ele, pode estar mais próximo do que imaginamos.
Ao fim da fala, ficou claro que o caminho é uma colheita cuidadosa: mais conhecimento, maior responsabilidade e participação ativa dos profissionais para que a IA floresça como auxílio sensível e seguro, preservando a precisão clínica e o calor do olhar humano — como uma cidade que respira com mais calma quando respeitamos seus ritmos.






















