Ripubblichiamo este texto por ocasião da participação de Bianca Balti no Festival de Sanremo 2026. Como observador das pequenas grandes estações da vida, conto aqui com clareza e sensibilidade o que significa enfrentar um diagnóstico que toca o corpo e a paisagem íntima de uma pessoa.
Em dezembro de 2022, a modelo havia se submetido a uma mastectomia bilateral como medida preventiva, devido à presença da mutação BRCA, que aumenta o risco de tumores de seno, ovário, próstata e pâncreas. Depois, anunciou que passou por uma cirurgia para tratar um tumor ovariano já detectado no terceiro estágio.
Naquele mesmo ano, Balti já havia considerado a retirada das ovários por prevenção, numa decisão que lembra a poda cuidadosa de um pomar para proteger a colheita futura. A mutação BRCA 1/2 eleva a probabilidade de aparecimento precoce do câncer de ovário e está presente em cerca de 25% dos casos hereditários.
O que significa o diagnóstico em estágio III?
Como explica o oncologista Saverio Cinieri, presidente da Fundação Aiom (Associação Italiana de Oncologia Médica), o carcinoma ovarico al terzo stadio indica que o tumor atinge uma ou ambas as ovárias e pode ter ultrapassado os limites pélvicos, com metástases peritoneais. Os tumores ovarianos tendem a crescer infiltrando o peritônio, a ‘membrana’ que envolve a cavidade abdominal e seus órgãos — fígado, baço, estômago, intestino e útero.
Tratamento: cirurgia e quimioterapia
A estratégia terapêutica visa remover a maior quantidade possível da massa neoplásica. A cirurgia pode incluir a retirada de trompas, ovários e outros tecidos já afetados. Trata-se de um procedimento complexo e delicado, frequentemente complementado por ciclos de quimioterapia, que podem preceder ou seguir a intervenção cirúrgica.
Por que é tão desafiador?
O câncer de ovário é considerado um dos mais difíceis de tratar porque, em muitos casos, é diagnosticado tardiamente. Na Itália, cerca de 5.200 mulheres são afetadas por ano, com aproximadamente 3.000 óbitos. Em 70% dos casos a detecção ocorre em fases avançadas, pois os sinais iniciais costumam ser inespecíficos ou sutis — um desconforto abdominal que se confunde com a respiração da cidade, uma sensação de inchaço que se parece com a maré que sobe lentamente.
A doença pode aparecer em qualquer idade, mas a incidência aumenta após a menopausa, entre 50 e 69 anos. Quando descoberta precocemente, limitada aos ovários, a sobrevida em cinco anos chega a 75–90%. Quando já se espalhou com metástases, o percurso terapêutico e prognóstico se torna mais complexo.
A importância da vigilância
Mesmo sem sinais claros nas fases iniciais, é essencial não subestimar sintomas persistentes: desconforto abdominal contínuo, sensação de saciedade precoce, alterações do hábito intestinal ou perda de peso inexplicada. Para quem carrega mutações genéticas como BRCA, a conversa com o médico sobre medidas preventivas, rastreamento e possíveis cirurgias profiláticas é uma raiz que vale ser cuidada com atenção.
O caminho de quem enfrenta um diagnóstico oncológico é ao mesmo tempo clínico e existencial: é preciso cuidar do corpo com tratamentos adequados e também preservar a paisagem interna — o sono, a alimentação, o suporte emocional — que ajuda a enfrentar cada estação. A experiência de figuras públicas como Bianca Balti nos lembra da importância da prevenção, da escuta atenta do próprio corpo e do apoio coletivo.
Se você ou alguém próximo apresenta sinais persistentes ou há história familiar de câncer, procure orientação especializada para avaliar riscos e opções. A informação e a ação precoce são como o vento que muda o curso de uma travessia: discretos, mas decisivos.






















