Por Alessandro Vittorio Romano — Em Rimini, como numa narrativa em que cada respiração é uma pequena vitória, uma menina nascida extremamente prematura ganhou a chance de um novo começo. A bebê prematuro, nascida às 22 semanas de gestação e pesando apenas 700 gramas, recebeu alta da terapia intensiva neonatal depois de quatro meses de cuidados intensivos e delicados.
Da primeira batida de coração fora do útero ao dia da alta, a trajetória foi marcada por intervenções essenciais: ventilação mecânica, suporte com oxigênio, administração de medicamentos para uma condição cardíaca típica de prematuridade extrema, inserção de cateteres venosos centrais e múltiplas transfusões de sangue. Cada procedimento foi como regar uma muda frágil até que as raízes pudessem fincar-se no novo solo da vida.
Ao deixar o hospital de Rimini, a menina pesava mais do que o triplo do peso de nascimento e estava em amamentação exclusiva — um gesto íntimo e restaurador que reforça a ideia de recuperação não só física, mas emocional e relacional entre mãe, pai e filho. Os primeiros controles pós-alta indicam um desenvolvimento dentro da norma, sinal de que os meses de cuidados surtiram efeito e que a pequena respira agora com mais segurança.
Um dos elementos humanos que mais acalenta nesta história é a presença constante dos pais. Eles puderam permanecer junto ao leito graças à Casa della Prima Coccola, a estrutura de acolhimento vinculada ao serviço neonatal, e participaram ativamente das práticas de cuidado, inclusive do contato pele a pele — um gesto tão simples quanto poderoso, que funciona como ponte entre o calor do corpo e a regulação dos ritmos biológicos do recém-nascido.
Kristian Gianfreda, assessor municipal para políticas de saúde de Rimini, manifestou publicamente gratidão e reconhecimento aos profissionais envolvidos — médicos, enfermeiros, obstetrizes, operadores socio-sanitários e psicólogas. Em suas palavras, a recuperação da menina é uma boa notícia para sua família e para toda a comunidade, uma lembrança viva do valor de manter serviços de excelência no território.
Como observador do cotidiano e tradutor sensível das relações entre ambiente e bem-estar, vejo nessa alta hospitalar um pequeno milagre coletivo: a conjunção entre tecnologia, conhecimento e calor humano. É como quando, depois de um inverno rigoroso, o terreno começa a responder ao primeiro toque do sol — brotos tímidos que se tornam promessas.
Essa história também ilumina a importância do acompanhamento continuado. Embora os primeiros sinais sejam positivos, a jornada de um bebê prematuro segue com visitas de controle, avaliações do desenvolvimento neurológico e suporte à amamentação. A comunidade de Rimini se mantém atenta, não apenas celebrando a alta, mas garantindo a rede de cuidados necessária para que essa vida floresça.
Ao acompanhar relatos como este, lembramos que políticas públicas, estruturas de acolhimento e profissionais dedicados formam o terreno fértil onde se plantam esperanças. A alta dessa menina é, afinal, uma colheita de dedicação — um convite para cuidar, com afeto e competência, das raízes do bem-estar humano.






















