Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma paisagem que respira cuidados e expectativas, um estudo recente da Fondazione Onda revela que a adesão às vacinas na gravidez permanece baixa, refletindo uma colheita de dúvidas e falta de informação entre gestantes e puérperas. Apresentada no evento “La protezione della salute materno-infantile: il valore della prevenzione primaria in gravidanza”, organizado em colaboração com a Società Italiana di Ginecologia e Ostetricia (SIGO), a pesquisa desenha um retrato claro e inquietante do momento.
Realizado em janeiro de 2024 com uma amostra de 300 mulheres grávidas e recém-mães, o levantamento mostra que menos da metade das entrevistadas associa a prevenção primária às vacinações. Em números: apenas 22% das mulheres foram vacinadas contra a Covid-19 durante a gestação, 33% receberam a vacina antigripal e 42% se vacinaram contra tétano, difteria e coqueluche (vacina tríplice).
O estudo também evidencia lacunas no conhecimento: 56% das entrevistadas declaram conhecer as três vacinas recomendadas, enquanto mais de uma em cada quatro conhece no máximo uma. Isso revela uma geografia desigual da informação, onde o mapa do saber sobre imunização na gravidez tem áreas de sombra que deixam as gestantes vulneráveis.
Além dos números, a pesquisa destaca como o conceito de prevenção primária na gravidez é frequentemente reduzido a rastreamentos pré-natais, controles clínicos e orientação sobre estilos de vida saudáveis. Só 47% das entrevistadas incluem as vacinas entre as medidas de prevenção, o que indica que a vacinação ainda não foi plenamente reconhecida como parte da rotina de proteção materno-infantil — como se fosse uma colheita de segurança esquecida no fundo do pomar.
Como observador atento do cotidiano e dos ritmos que conectam ambiente, saúde e corpo, percebo aqui um hábito que precisa ser cultivado: a educação em saúde durante a gravidez. Informações claras e compassivas, oferecidas nos momentos certos, podem ser a chuva suave que nutre a confiança das futuras mães em medidas simples e eficazes como a imunização.
As implicações são práticas e humanas. Vacinar durante a gestação protege não só a mulher, mas também o recém-nascido nos primeiros meses de vida — um gesto de prevenção que reverbera como raízes firmes na infância. A baixa adesão, portanto, não é apenas uma estatística; é uma janela para intervenções de comunicação e acesso que podem ser afinadas por serviços de saúde, obstetras e políticas públicas.
Em termos de próximo passo, é urgente promover campanhas informativas direcionadas, integrar a conversa sobre vacinas às consultas pré-natais e oferecer respostas às principais dúvidas das gestantes, sempre com uma linguagem que respeite o ritmo emocional desse período. Só assim a melodia da prevenção primária poderá se tornar parte do tempo interno do corpo e do cuidado coletivo.
O estudo da Fondazione Onda, ao ser compartilhado com a comunidade médica e com o público, acende um alerta e abre um caminho: transformar conhecimento em prática cotidiana, para que a proteção materno-infantil floresça com mais força.






















