Assisto, com a curiosidade de quem observa as estações mudarem, a nova onda de contágios que chega pelos céus e pousa nos galpões. A influenza aviária, na sua variante de alta patogenicidade, continua a avançar pela União Europeia: em menos de um mês foram notificados à Comissão Europeia sessenta novos focos da doença, conhecida internacionalmente como HPAI.
O boletim da Comissão, na forma de uma decisão de execução, atualiza o panorama epidemiológico europeu. Como um vento de inverno que acelera a migração das aves, o vírus circula com maior intensidade na época fria e acende o alerta entre virologistas e autoridades sanitárias — porque, além do impacto sobre a produção avícola, existe o risco vigilante de que o agente sofra mutações que possam facilitar a transmissão entre humanos.
Recorda a Comissão que a influenza aviária é uma doença viral que pode provocar graves consequências para a rentabilidade dos sistemas de criação de aves, perturbando o comércio interno da União e as exportações para países terceiros. Os vírus da HPAI conseguem infectar aves migratórias, que ao percorrer longas rotas de outono e primavera atuam como vetores naturais, distribuindo o agente por grandes distâncias.
Daí a persistente ameaça: a presença desses vírus em populações selvagens representa sempre a possibilidade de uma introdução direta ou indireta em explorações onde se criam galinhas e outras aves em cativeiro. E quando surge um foco, existe o risco concreto de contágio para outras unidades avícolas próximas.
Desde a adoção da decisão de execução UE 2025/2660, em 23 de dezembro de 2025, diversos Estados-membros notificaram novos acontecimentos. Entre os países que comunicaram surtos recentes estão: Bélgica, Bulgária, Chéquia, Dinamarca, Alemanha, Espanha, França, Itália, Hungria, Países Baixos, Polônia, Portugal e Suécia. Em resposta, todos estes Estados adotaram as medidas de contenção previstas pelo regulamento delegado UE 2020/687, incluindo a criação de zonas de proteção e de vigilância em torno dos focos.
Enquanto caminhamos por esta paisagem epidemiológica, é essencial equilibrar precaução e pragmatismo. As medidas de contenção são como cercas temporárias para o jardim da saúde coletiva: protegem as plantações — neste caso, o setor avícola — e minimizam o risco para quem vive das colheitas do engenho humano. A vigilância contínua, aliada a práticas rigorosas nas explorações e à cooperação entre países, é a melhor resposta para segurar essa respiração perturbada do ecossistema.
Seguirei atento ao desenrolar das notificações e às possíveis evoluções do vírus, navegando entre a ciência e a observação sensível do cotidiano. Para produtores, viajantes e cidadãos, a recomendação é manter-se informado, cumprir as normas de biossegurança e entender que a proteção começa nas pequenas rotinas diárias — o inverno nos lembra que tudo está ligado, da migração das aves ao bem-estar humano.



















