L’AQUILA, 21 de janeiro de 2026 — Em um cenário onde o cuidado deveria ser a estação permanente, associações e famílias muitas vezes enfrentam um inverno burocrático. «As pessoas autistas, em particular crianças e jovens, têm direito às terapias prescritas e esse direito não pode ser condicionado pela falta ou indisponibilidade de fundos», afirma Dario Verzulli, presidente da Autismo Abruzzo, após duas novas decisões judiciais contra serviços de saúde locais, uma em 23 de dezembro de 2025 e outra em 19 de janeiro de 2026.
Desde 2017, a associação acompanhou e venceu 216 condenações movidas por famílias nos tribunais de Abruzzo contra as ASL regionais por recusa ou limitação de tratamentos essenciais. Nos acórdãos mais recentes, o juiz rejeitou o argumento apresentado pela ASL de que a inexistência de recursos poderia limitar o acesso às prestações, reafirmando que a proteção da saúde não pode ser convertida em variável de orçamento.
A narrativa que emerge lembra uma paisagem em que o plantio não encontra água: apesar das prescrições clínicas emitidas pelas comissões locais — as Unidades de Avaliação Multidisciplinar (UVM) — a programação e a destinação de verbas não estariam alinhadas com as necessidades apontadas. O resultado é que muitas famílias, numa colheita forçada, recorrem ao tribunal para assegurar o que foi recomendado em termos de cuidados e terapias.
A situação crítica é ainda reforçada pela deliberação de governo regional DGR n. 408, de 30 de junho de 2025, que estabeleceu tetos máximos de despesa e orçamentos contratuais, medidas que, segundo a associação, limitam a concretização das prescrições clínicas. Em linguagem mais direta: orientações clínicas nascidas do trabalho multidisciplinar esbarram em limites orçamentários que impedem a sua implementação.
Para Autismo Abruzzo, a sucessão de decisões favoráveis nos tribunais não é sinal de vitória plena, mas um alerta para uma mudança estrutural. Verzulli destaca que o recurso massivo ao judiciário não substitui uma política pública eficaz; pelo contrário, evidencia que o sistema precisa alinhar programação, recursos e responsabilidades para que a saúde — como a raiz que sustenta uma árvore — possa alimentar a vida das pessoas autistas sem interrupções.
As famílias, muitas vezes cansadas pelo tempo e pelas idas e vindas administrativas, pedem que a temporada de espera termine e que políticas locais tradutoras das prescrições das UVM sejam implementadas de forma concreta e sustentável. A exigência é simples e urgente: transformar decisões clínicas em cuidados reais, sem que a balança orçamentária pese sobre o direito à saúde.
Enquanto isso, a sucessão de 216 condenações funciona como um mapa das falhas: marca os pontos onde a responsabilidade pública não encontrou harmonia com as necessidades individuais. Resta à região responder com planejamento e orçamento coerentes, para que a respiração da cidade volte a ser ritmada pelo bem-estar e não pela luta judicial.
Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia — observador do cotidiano italiano, atento à interseção entre clima, ambiente e saúde humana.






















