Em Turim, a Asl Città di Torino reforça a sua atuação na gestão do período pós-hospitalar, cultivando uma rede que funciona como a respiração entre hospital e domicílio. No centro dessa transformação estão as Centrali operative territoriali (Cot), estruturas que organizam e coordenam a transição dos pacientes frágeis dos leitos hospitalares para os serviços territoriais, garantindo continuidade e personalização dos cuidados.
Os números de 2025 mostram o pulso dessa colheita de esforços: foram 2.146 inserções em estruturas de Continuità assistenziale a valenza sanitaria (Cavs) e 2.269 admissões nas Rsa para internações temporárias. Em comparação a 2024, houve um acréscimo de +214 admissões em Cavs e +226 em Rsa, resultados atribuídos à otimização dos tempos de permanência hospitalar e à melhor articulação entre níveis de cuidado.
Além disso, 1.223 cidadãos beneficiaram-se da ativação imediata das Cure Domiciliari (ADI) no momento do retorno para casa, integrando, ao todo, mais de 5.600 intervenções ligadas ao pós-alta. Esses números não são apenas estatísticas: são histórias de retorno à vida quotidiana com acompanhamento, evitando quedas abruptas entre cuidados intensivos e o silêncio do lar.
As Cot garantem presença diária de uma equipa multidisciplinar: uma coordenadora de enfermagem, quatro enfermeiros, um médico, um assistente social e três figuras administrativas. Essa composição revela a aposta numa coordenação próxima, onde a gestão clínica se entrelaça com a logística e o suporte social — a trama necessária para costurar o cuidado contínuo.
Para além das cifras, é importante sentir como esse sistema altera o ritmo do cuidado: a cidade respira com outros compasso quando existe quem acompanhe o regresso do paciente ao lar, quem combine visitas, leve medicamentos, ajuste equipamentos e ofereça orientações aos familiares. É uma espécie de agricultura do bem-estar, onde se semeiam práticas e se colhem dias melhores para quem sai do hospital.
O sucesso das Cot em Turim aponta também para um modelo replicável, que valoriza a integração entre hospital e território, reduz tempos desnecessários de internamento e melhora a experiência do usuário. Essa caminhada entre as estações do cuidado — do leito ao domicílio — exige coordenação, tempo e sensibilidade, qualidades que a Asl Città di Torino vem cultivando.
Enquanto observador atento das conexões entre ambiente e saúde, vejo nesses resultados não só uma vitória administrativa, mas um avanço na qualidade de vida: menos rupturas, mais continuidade, e um retorno ao espaço doméstico acompanhado, seguro e humano. Em suma, um processo que traduz o cuidado como paisagem, com estações, transições e, se bem conduzido, um suave despertar para a recuperação.



















