MILÃO — Gerir cerca de 5 milhões de chamadas anuais para o 112, o número único de emergências da Lombardia, é uma tarefa que pede técnica, sensibilidade e visão para o amanhã. Em diálogo com a agência Italpress, Massimo Lombardo, diretor-geral da Areu (Agenzia Regionale di Emergenza Urgenza), traça um mapa prático e humano do que pode elevar ainda mais um dos sistemas de socorro mais avançados da Europa: a adoção de inteligência artificial como apoio aos operadores e o investimento em elicópteros configurados para o chamado socorro secundário.
Como quem lê o vento para prever a colheita, Lombardo descreve uma inovação que não substitui o gesto humano, mas o valoriza. “Os operadores poderiam se avvaler de ferramentas evoluídas de inteligência artificial para ampliar sua competência — por exemplo, para transcrever automaticamente o que é relatado ou para gerir algoritmos decisórios”, explica. É uma proposta que enxerga a tecnologia como uma extensão da escuta e do raciocínio humano, não como um substituto frio.
Do mesmo modo que a paisagem muda conforme a estação, a geografia dos socorros também pede diferentes máquinas para diferentes ciclos. Hoje, a maioria dos elicópteros na região está preparada para um socorro “primário”, capaz de chegar a qualquer terreno e retirar vítimas do local do acidente. Mas um episódio recente, a tragédia de Ano Novo em Crans-Montana, lançou luz sobre outra face do transporte aéreo: a capacidade de competir, em alguns cenários clínicos, com o transporte terrestre no traslado entre hospitais.
“Na nossa Região há vários helicópteros, mas eles são equipados sobretudo para o socorro primário. A experiência de Crans-Montana nos mostrou que um helicóptero pode ser competitivo para determinadas situações clínicas em relação ao transporte por estrada. Por isso faria sentido pensar em aeronaves diferentes das que usamos hoje, aptas ao ‘transporte secundário’ de pacientes ponto a ponto, de hospital para hospital”, afirma Lombardo. O argumento é pragmático: grandes centros hospitalares da Lombardia ampliam seu alcance se dispuserem de tecnologia que transporte pacientes com rapidez e segurança.
Sobre a ação imediata na tragédia de Capodanno em Crans-Montana, Lombardo relata o papel ativo da Areu. “Fomos acionados já nas primeiras horas da manhã do dia 1º de janeiro, após uma ligação do assessor ao Welfare da Região Lombardia, Guido Bertolaso, que se comunicava com o ministro Tajani e com a Farnesina. Preparamos imediatamente nossas capacidades operativas e colocamos à disposição nossos elicópteros. Realizamos três voos para evacuar três jovens internados no hospital de Sion — uma unidade de vale, não grande — que havia recebido em poucas horas dezenas de pacientes graves, muitos deles queimados e muito jovens.”
O balanço final da intervenção foi de 12 pacientes gerenciados pela Areu. Lombardo lembra que, além das queimaduras, muitos apresentavam inalação de fumaça tóxica — uma agravante significativa em terapia intensiva. “Essa experiência nos tocou não apenas profissionalmente, mas também no plano humano”, acrescenta, com a voz que reconhece a fragilidade e a esperança em cada transporte.
Enquanto a Lombardia examina a paisagem do seu sistema de emergência, a proposta de integrar inteligência artificial e de repensar a frota aérea nasce como uma colheita de ideias que respeita o tempo interno do corpo e a respiração da cidade. Em cada chamada ao 112, há uma história, um pulsar que pede respostas precisas e afetuosas — e, segundo Areu, a tecnologia e novos horizontes aeronáuticos podem ser as próximas ferramentas dessa atenção.
Reportagem por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia — observador dos ciclos de bem-estar e da interação entre clima, saúde e cotidiano.






















