Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, numa tarde que lembrava a respiração lenta de uma cidade após a neblina, voltou ao centro do debate público uma questão que toca tanto a saúde individual quanto a segurança coletiva: a relação entre apneia do sono e a obtenção ou renovação da carteira de motorista.
Durante o encontro “Apneias do sono: aptidão para dirigir e Lea, criticidades normativas e perspectivas de reforma”, organizado na Câmara por iniciativa da deputada de Fratelli d’Italia Maria Carolina Varchi, a associação Apnoici italiani APS solicitou que as apneias do sono sejam reconhecidas formalmente como patologia crônica e que seja aberto um tavolo di lavoro interministeriale entre o Ministério da Saúde e o Ministério dos Transportes.
O objetivo é claro como a primeira brisa da manhã: simplificar e uniformizar os procedimentos para o empenho, emissão ou renovação da patente para quem convive com apneias, encontrando soluções que equilibrem a tutela da segurança viária e os direitos dos pacientes. Para quem vive essa condição, muitas vezes o percurso burocrático parece um labirinto cujo mapa muda a cada esquina.
Segundo o presidente da associação, Luca Roberti, cerca de 4,5 milhões de italianos sofrem de apneia do sono. Ele recordou que os custos diretos e indiretos estimados pelo Ministério da Saúde em 2016 chegavam a 2,9 bilhões de euros, valor que, nas palavras da associação, poderia hoje ser aproximadamente o dobro. Por isso, há o pedido expresso de uma estimativa atualizada por parte do ministério, que permita medir melhor a colheita — ou o peso — dessas consequências econômicas e humanas.
A proposta de reconhecimento como patologia crônica não é apenas uma etiqueta burocrática: abre caminho para uma tomada em carga mais estruturada pelo sistema de saúde, com potenciais ganhos na prevenção de comorbidades, melhor qualidade de vida para os pacientes e economias proporcionais para o setor público. Em outras palavras, tratar a apneia de modo adequado pode reduzir as sementes de futuras doenças e aliviar o impacto sobre o orçamento coletivo.
O debate também tocou nas dificuldades práticas que afetam quem busca renovar a patente de condução: exames variados, critérios nem sempre homogêneos entre regiões e interpretações normativas que complicam a vida de pacientes e médicos. A solução proposta por Apnoici italiani APS é a criação de linhas-guia e protocolos compartilhados, com um olhar que una a prudência da segurança de estrada à dignidade do cuidado ao paciente.
Enquanto as instituições conversam — e a terra firme das regras se redesenha pouco a pouco — resta a imagem da cidade respirando com quem nela vive: simplificar procedimentos é, ao fim, permitir que o fluxo cotidiano volte a ser mais leve, sem atropelos entre saúde e mobilidade. A expectativa agora é que o chamado por uma mesa interministerial transforme-se em um caminho concreto de reforma, onde a ciência, o direito e a rotina se encontrem em passos sincronizados.
Apneia do sono, patente, Lea, ministério da Saúde e ministério dos Transportes permanecem no centro da pauta — e na agenda de quem trabalha para que a respiração da cidade e a respiração do corpo voltem a conversar com tranquilidade.






















