Por Alessandro Vittorio Romano — A recente inquietação suscitada por uma interpelação política na província autónoma de Trento trouxe ao ar uma discussão mais ampla sobre quem pode atuar no elisocorro. Uma conselheira do PD questionou a abertura desse serviço aos especialistas em medicina de emergência-urgência (Meu), afirmando, na prática, que o espaço seria exclusivo dos anestesistas e intensivistas. Essa dúvida, porém, acendeu a resposta firme do sindicato médico Anaao Assomed, que defende a legitimidade desses profissionais no ambiente aéreo de resgate.
Na voz de Pierino Di Silverio, secretário nacional da Anaao, e de Myriam Sanò, representante da associação em Trento e membro da Comissão de emergência-urgência, a reação não se limita a uma defesa corporativa: ela é um apelo pela dignidade e pela imagem dos que sustentam o sistema de emergência. “Interrogações políticas que entram em tecnicismos clínico-organizativos complexos correm o risco de ferir profundamente a confiança entre a população e o sistema de emergência”, dizem eles.
Há aqui um risco que reconheço como quem observa a respiração da cidade: quando o debate público se transforma em contenda política, a paisagem do cuidado se empalidece. O sindicato ressalta que o mandato do especialista em Meu é legítimo em qualquer espaço da área crítica, incluindo o elisocorro, desde que garantidos formação adequada, protocolos claros e trabalho em equipe multidisciplinar.
Anaao sublinha dois pontos que me parecem tão essenciais quanto a bússola do resgate nas montanhas: primeiro, a segurança do paciente deve ser a estrela-guia; segundo, decisões sobre quem atua em meios aeromédicos não podem ser reduzidas a disputas de identidade profissional. A complexidade técnica exige respeito ao percurso formativo e à competência demonstrada, não exclusões por decreto político.
Na prática, aquilo que move um serviço de elisocorro eficaz é a sinfonia coordenada entre pilotos, médicos, enfermeiros e técnicos, uma dança sob o peso do tempo e do vento. Anaao alerta que politizar o assunto pode gerar um clima de desconfiança que, em última instância, prejudica os pacientes e fragiliza os profissionais perante a comunidade que esperam ajudar.
Com minha sensibilidade de observador dos ciclos que moldam o viver bem — das estações que definem hábitos ao ritmo dos plantões que marcam a vida dos profissionais — percebo que proteger o trabalho no terreno é também proteger a rede de cuidados que nos ampara quando a cidade respira mais duro. A organização sindical pede, portanto, que se privilegiem dissertações técnicas em fóruns adequados, que se promovam formações e auditorias, e que se mantenha a confiança pública intacta.
Em tempos em que a política muitas vezes quer semear ruídos no campo do cuidado, fica o lembrete: a legitimidade de atuação deve ser avaliada por critérios de competência, segurança e protocolos clínicos, não por conjecturas partidárias. Assim, a Anaao reafirma que os médicos de emergência-urgência estão legitimados a atuar no elisocorro, sempre com foco na proteção do paciente e no trabalho de equipe.






















