Por Alessandro Vittorio Romano — Observador sensível do cotidiano e das estações
Durante décadas, a doença de Alzheimer foi descrita pela medicina moderna como uma condição neurodegenerativa progressiva e, em grande parte, irreversível — resultado do acúmulo de placas amiloides, da perda sináptica e da morte neuronal. Essa fotografia biológica é correta, mas tem oferecido respostas terapêuticas limitadas: os fármacos hoje aprovados como donepezil, rivastigmina, galantamina e memantina apresentam eficácia sintomática modesta, efeitos colaterais frequentes e não modificam a doença na sua raiz.
Como numa paisagem que revela sinais subtis antes da tempestade, pesquisas recentes em neurociência apontam a neuroinflamação crônica como um dos motores patogênicos centrais da progressão do Alzheimer. Essa visão não surge no vazio: ela ecoa, com surpreendente convergência, antigas sabedorias médicas — da Ayurveda e da medicina chinesa à tradição da fitoterapia e mesmo a práticas espirituais como a meditação Sahaja Yoga — que sempre consideraram a doença como o fruto de um processo sistêmico, multifatorial e longo.
Um exemplo que ilustra essa ponte entre tradição e ciência é o estudo sobre os ácidos boswélicos, extraídos da resina da Boswellia serrata (o incenso). Pesquisa preliminar em pacientes com Alzheimer leve a moderado mostrou melhoria cognitiva e redução de marcadores de inflamação sistêmica. Resultados ainda iniciais, sim — mas coerentes com a leitura ayurvédica, na qual a perda de memória (Smriti Bhramsha) e o declínio da inteligência (Medha Kshaya) não são eventos isolados do cérebro, e sim sinais de desequilíbrios nos doshas, especialmente no Vata, e do enfraquecimento do ojas, a essência vital que sustenta clareza mental e resistência.
Na linguagem da natureza: não tratamos apenas uma árvore doente; precisamos analisar o solo, a água, o clima e as raízes. A visão ayurvédica destaca fatores como inflamação crônica, acúmulo de ama (toxinas metabólicas), estresse prolongado e a desarmonia entre intestino e mente — ecos modernos do que hoje chamamos de eixo intestino-cérebro.
A medicina chinesa também enxerga o declínio cognitivo como desequilíbrio sistêmico, frequentemente relacionado ao enfraquecimento do shen (a mente) e à ruptura da circulação energética que mantém a clareza mental. Assim, práticas de suporte que vão da fitoterapia chinesa à meditação visam harmonizar todo o organismo, não apenas o córtex.
Além das plantas, abordagens complementares — incluindo a omeopatia e intervenções mente-corpo como a Sahaja Yoga — têm sido defendidas por seus praticantes e por alguns estudos como capazes de reduzir o estresse crônico, modular respostas inflamatórias e restaurar ritmos internos. A meditação, em particular, funciona como uma poda suave: retira o excesso de tensão que sufoca a respiração da cidade cerebral e permite recolher frutos de serenidade e melhor processamento emocional.
Claro: a medicina moderna fornece ferramentas essenciais — diagnósticos, cuidados agudos, medicamentos para sintomas e avanços em biomarcadores. Mas, como em uma estação que pede replantio, a próxima safra de terapias para o Alzheimer talvez venha da integração: combinar intervenções farmacológicas com estratégias anti-inflamatórias, suporte nutricional, fitoterápicos validados e práticas que cuidem do tempo interno do corpo.
O caminho é científico e humilde. Requer estudos rigorosos que testem compostos como os ácidos boswélicos em amostras amplas, além de ensaios sobre protocolos integrativos que incluam dieta, sono, atividade física, higiene intestinal e meditação. Enquanto isso, há valor em escutar tradições que por séculos perceberam a doença como processo — e não apenas como um rasgo abrupto no tecido cerebral.
Em vez de tratar o sintoma isolado, proponho olhar para o organismo como uma paisagem em que a saúde brota da harmonia entre solo e estação, entre hábitos e raízes. Só assim poderemos colher respostas verdadeiras para o envelhecimento da mente.




















