Assino estas linhas como Alessandro Vittorio Romano, observador das estações da vida e das pequenas respirações que nos ligam. Nas emergências pediátricas, nas salas de aula e nas conversas silenciosas entre pais e filhos, surge hoje um sinal de alarme: o sofrimento juvenil está crescendo, e pede uma colheita de cuidados que una escola e família.
Anna Rita Benincaso, pediatra hospitalar e presidente do G.I.O.I.A ETS (Grupo Interdisciplinar Operatori dell’Infanzia e dell’Adolescenza), descreve o que chama de nova emergência pediátrica. São sinais concretos, que chegam ao Pronto Socorro: transtornos do comportamento alimentar, agressividade, autolesão, crises de ansiedade e até tentativas de suicídio. O padrão é cada vez mais evidente: em quase todo turno, chega pelo menos uma criança — algumas ainda com 9 ou 10 anos — necessitando de ajuda por essas razões.
“Nem todos vêm de famílias com muitos recursos, e isso, infelizmente, não está sob nosso controle. O que podemos trabalhar é o ambiente escolar, criando uma aliança com os professores e, ao mesmo tempo, com a família. Se se estabelece um sentimento de confiança com a família, metade do trabalho está feito.” As palavras de Benincaso soam como um convite urgente: pensar a escola não apenas como transmissora de conteúdo, mas como um terreno onde se cultivam emoções e se ensina a nomeá-las.
O alerta vem também da experiência direta da pediatra com o projeto do Bullone, uma fundação sem fins lucrativos que publica um jornal mensal e integra os B.Liver — jovens que já vivenciaram ou vivenciam trajetórias de doença e hoje participam de processos de inclusão laboral. Nesse diálogo entre prática clínica e iniciativas sociais, emerge um caminho: a educação emocional como ferramenta de prevenção e cuidado.
Do ponto de vista cotidiano, é preciso reconhecer que o tempo interno do corpo das crianças e adolescentes tem sido comprimido por pressões sociais, expectativas e um ritmo que não respeita as estações do crescimento. Professores são jardineiros desse tempo: ao observarem sinais, ao praticarem uma escuta atenta e ao envolverem as famílias, tornam possível uma intervenção precoce que evita a colheita amarga de sintomas mais graves.
Formar uma aliança implica passos práticos: capacitação de docentes para identificar e encaminhar sinais, espaços regulares de diálogo entre escola e família, projetos de educação afetiva que tornem cotidiano nomear sentimentos, e redes locais de proteção que respondam com rapidez quando há risco. A experiência de quem trabalha no Pronto Socorro ensina que cada elo a mais na rede diminui a sensação de abandono que alimenta crises e autolesão.
Como guia de estilos de vida e bem-estar, proponho que pensemos esta ação coletiva como a respiração da cidade: se uma escola inspira e a família expira em sintonia, o ar emocional que envolve a criança torna-se mais leve. A prevenção é uma agricultura de pequeno porte — regas diárias de atenção, conversas que cultivam confiança, e a coragem de pedir ajuda quando a colheita ameaça se perder.
O desafio é grande, mas não é apenas médico. É cultural, pedagógico e íntimo. Ao unir escolas, famílias e profissionais de saúde em uma aliança dedicada a educar sentimentos, damos aos jovens ferramentas para atravessar a travessia turbulenta da adolescência. E, sobretudo, oferecemos a eles a certeza de que não caminham sozinhos.
— Alessandro Vittorio Romano






















