ROMA — Um novo alerta conjunto da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e do Centro Europeu para a Prevenção e o Controlo das Doenças (ECDC) acendeu um sinal de preocupação sobre a presença de bactérias resistentes entre os micro-organismos responsáveis pelas intoxicações alimentares mais comuns. O relatório destaca, em particular, a circulação persistente de cepas de Salmonella e Campylobacter com reduzida sensibilidade a medicamentos cruciais, como a ciprofloxacina.
Na paisagem cotidiana da alimentação, onde cada refeição é como uma pequena colheita de cuidados, estas descobertas lembram que o equilíbrio entre produção animal, práticas sanitárias e uso de antibióticos tem consequências diretas para a saúde humana. Segundo o relatório, uma elevada proporção de isolados destes agentes isolados em humanos e em animais destinados à cadeia alimentar apresenta resistência à ciprofloxacina, um antimicrobiano de importância clínica para infecções graves.
Os especialistas europeus observam que a resistência em Salmonella nos animais produtores mantém-se em níveis altos e que as resistências em infecções humanas por Salmonella têm aumentado nos últimos anos, reduzindo as opções terapêuticas disponíveis. No caso do Campylobacter, a disseminação da resistência é tão ampla que a ciprofloxacina deixou de ser recomendada para o tratamento de casos humanos, e já foram impostas restrições ao seu uso no setor animal.
Este quadro exige uma resposta em múltiplas frentes: reforço da vigilância, práticas agrícolas e de abate mais prudentes, políticas de prescrição mais restritivas e a promoção de medidas de prevenção que começam na fazenda e chegam à mesa. Em termos práticos para quem prepara a refeição, as recomendações seguem orientações clássicas, porém sempre necessárias: cozinhar bem carnes e aves, evitar contaminação cruzada na cozinha e manter higiene adequada ao manipular alimentos.
Como observador do cotidiano e de seus ritmos, acredito que a saúde pública é parte do tecido que liga campo e cidade, estação e mesa. Essa resistência crescente é como uma sombra que se alonga sobre a paisagem do bem-estar: não se combate apenas no laboratório, mas também na forma como escolhemos produzir, comprar e cozinhar nossos alimentos.
O relatório da EFSA e do ECDC sublinha ainda a importância de ações coordenadas segundo o princípio One Health — que integra saúde humana, animal e ambiental — para frear a expansão da resistência antimicrobiana. As autoridades europeias recomendam fortalecer programas de monitoramento, reduzir o uso de antibióticos críticos na pecuária e investir em práticas que melhorem a biossegurança nas explorações.
Ao leitor, fica o convite para olhar a rotina alimentar com olhos mais atentos: a proteção contra intoxicações alimentares resistentes passa por escolhas conscientes e por apoiar cadeias de produção que priorizem a saúde coletiva. Em tempos em que o ritmo das estações dita também o ritmo das epidemias, a prevenção é a colheita de hábitos que nos sustenta.
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia






















