Por Alessandro Vittorio Romano — Roma. Um relatório do Pharmaceutical Group of the European Union (Pgeu) revela que, em 2025, a carença de medicamentos deixou de ser um episódio isolado para se tornar uma condição persistente na cadeia farmacêutica europeia. Quase todos os países analisados registraram falta de fármacos e, em aproximadamente um terço das nações, o déficit atingiu mais de 600 produtos; em 11% dos casos, o número superou as 1.000 unidades.
O levantamento, que reuniu dados de 27 países da União Europeia e da European Free Trade Association (Efta), mostra que a situação não melhorou em 70% dos Estados analisados e, em 15%, apresentou deterioração. Entre os países onde a escassez piorou está a Itália, que registrou um aumento de 4,8% nos episódios de falta de medicamentos em relação ao ano anterior.
“A carença de medicamentos se estabilizou, mas em um nível inaceitavelmente alto. Não são mais incidentes isolados: há uma pressão crônica sobre pacientes, farmacêuticos e sistemas de saúde”, afirmou Mikołaj Konstanty, presidente do Pgeu. A declaração sublinha que a realidade das prateleiras vazias é uma maré lenta e constante, que afeta a rotina das farmácias como a mesma respiração que muda ao aproximar-se uma frente meteorológica.
Os números do relatório impõem uma reflexão ampla: quando a disponibilidade de terapias — essenciais para doenças agudas e crônicas — oscila, o impacto recai sobre a confiança dos pacientes, sobre a carga de trabalho dos profissionais e sobre a capacidade dos serviços de saúde de responder com segurança. É como se, durante a colheita, faltassem sementes básicas para garantir a próxima estação.
Embora o relatório do Pgeu documente a dimensão do problema, a análise também sugere que a carência já não pode ser tratada como um fenômeno técnico restrito à logística: é uma questão estrutural que reclama políticas coordenadas entre fabricantes, reguladores e distribuidores. Farmacêuticos, muitas vezes, transformam-se em guardiões improvisados da continuidade dos tratamentos, procurando alternativas e orientando pacientes num panorama de incertezas.
Para comunidades e profissionais, a mensagem é clara: é necessário cultivar respostas duradouras, que preservem o acesso aos medicamentos como um bem compartilhado. Enquanto isso, pacientes e cuidadores tendem a viver em vigília constante — atentos aos sinais de falta e à necessidade de planos de contingência.
Num tom de observador sensível, lembro que as cidades respiram em ciclos. Quando um elo dessa respiração se perde, quem sente primeiro são os gestos cotidianos — a ida à farmácia, a prescrição renovada, a dose que garante tranquilidade. Essa imagem simples ajuda a compreender por que a carência de medicamentos não é só um problema industrial: é um desarranjo do pulso do cuidado.
O relatório do Pgeu é um alerta que convida à ação: não apenas para reduzir números, mas para restaurar uma paisagem de confiança onde pacientes, profissionais e sistemas de saúde possam florescer com segurança.






















