ROMA, 03 fevereiro 2026 — A Agência Italiana de Medicamentos (AIFA) aprovou a rimborsabilidade da primeira terapia combinada destinada ao tratamento do carcinoma urotelial avançado, abrindo caminho para uma alternativa à tradicional quimioterapia com platina usada há quase quatro décadas. A nova indicação contempla o uso em primeira linha de adultos com câncer urotelial não ressecável ou metastático.
O aval da AIFA baseou-se nos dados robustos do ensaio clínico de Fase 3 Keynote-A39, que demonstrou um ganho substancial na sobrevida global. Pacientes tratados com a combinação de enfortumab vedotin e pembrolizumab apresentaram uma sobrevida global mediana de 31,5 meses, em comparação com 16,1 meses observados com a quimioterapia padrão à base de platina — uma redução do risco de morte da ordem de 53%.
Além disso, a associação também mostrou benefício na sobrevida livre de progressão, com mediana de 12,5 meses versus cerca de 6 meses no braço da quimioterapia, reforçando a eficácia do protocolo combinado na contenção do avanço da doença.
O carcinoma urotelial responde por mais de 90% dos tumores de bexiga, e o câncer de bexiga é atualmente o quarto mais frequente na Itália, com mais de 31.000 novos diagnósticos por ano. Para pacientes com doença localmente avançada ou metastática, dispor de uma opção terapêutica eficaz e financiada pelo sistema de saúde representa uma mudança profunda na paisagem do tratamento, oferecendo esperança e uma nova direção para cuidados mais personalizados.
Como observador atento do cotidiano e dos ritmos que regem a vida, penso nessa mudança como um outono que, inesperadamente, colore um caminho antes cinzento: a aprovação da combinação de enfortumab vedotin e pembrolizumab é uma pequena colheita de progresso na longa estação do combate ao câncer, que pode traduzir-se em meses preciosos a mais com qualidade de vida para pacientes e famílias.
Do ponto de vista prático, a decisão da AIFA deve facilitar o acesso à terapia em centros oncológicos e hospitais, integrando-se às rotas assistenciais já consolidadas. Ainda que cada paciente seja um ecossistema único — com seu próprio “tempo interno do corpo” e necessidades específicas —, a entrada dessa combinação no rol de tratamentos reembolsados amplia o leque de escolhas terapêuticas sem que a opção principal seja necessariamente a quimioterapia com platina, empregada como padrão por quase 40 anos.
Especialistas e equipes multidisciplinares deverão agora consolidar diretrizes de utilização e acompanhamento, enquanto pacientes e cuidadores se preparam para dialogar com seus médicos sobre essa alternativa. No cenário humano que observa e sente, são decisões que afetam a respiração da cidade e a rotina das casas: pequenas transformações que reverberam na qualidade de cada dia.
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia






















