Por Alessandro Vittorio Romano — Observador sensível do cotidiano italiano.
Reconhecer um novo centro de gravidade para a profissão: este é o sentido por trás da primeira Giornata nazionale per la prevenzione veterinaria, instituída pela lei 40/2025 e marcada no calendário para o dia 25 de janeiro. O dado que inspira a iniciativa é direto e inquietante: cerca de 70% das infecções emergentes — da gripe aviária ao vírus do Nilo Ocidental — têm origem animal. Em resposta, 102 iniciativas espalhadas do norte ao sul da Itália serão apresentadas num evento no Senado.
Quem promoveu a jornada, a senadora Maria Cristina Cantù, explicou que o objetivo é sensibilizar a população para a importância da prevenção veterinária, íntima à saúde de todos nós. A proposta sustenta-se na filosofia One Health, que vê como interdependentes a saúde humana, a saúde animal e a preservação do meio ambiente — três ritmos que batem como a respiração de uma mesma paisagem.
No lançamento esteve presente também o vice‑presidente do Conselho e secretário da Lega, Matteo Salvini. Filho de hábitos de consumo e representante público, ele trouxe uma mensagem dupla: “Estou aqui como consumidor, porque o bem-estar animal é também o bem-estar do homem”; e, na posição institucional, comprometeu‑se a acolher propostas nascidas desta jornada para traduzi‑las em regras práticas.
O ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, sublinhou que a profissão do veterinário é um pilar em múltiplos âmbitos e que o ministério espera reforçar essa base: “Precisamos de muitos mais veterinários”. Em cooperação com o Ministério da Saúde, acrescentou, foi pedido ao Ministério da Universidade a abertura de novos cursos — já surgiu recentemente o curso de Veterinária na Universidade de Tor Vergata, em Roma.
Frente a ameaças como a peste suína e a gripe aviária, Lollobrigida afirmou que a ação nacional não basta; é preciso ampliar o olhar para uma escala europeia, porque as ondas que atravessam os rebanhos e as migrações de aves não respeitam fronteiras políticas.
O subsecretário à Saúde, Marcello Gemmato, concordou que é necessário relançar a profissão do veterinário, dando-lhe maior visibilidade e recursos. Entre as iniciativas apresentadas figuram um vídeo institucional produzido pelos sindicatos Sivemp e Simevep, para contar o papel dos médicos veterinários do Servizio Sanitario Nazionale na proteção da saúde pública, e o anúncio da Anmvi (Associazione nazionale medici veterinari italiani) de continuidade, em 2026, da didattica veterinária nas escolas de ensino fundamental e médio — veterinários entrarão em sala para educar crianças e adolescentes sobre a convivência segura e afetuosa com os animais, em casa e na natureza.
É um convite a cultivar uma colheita de hábitos que protejam a comunidade: vacinar, monitorar, educar e pensar globalmente. A nova jornada não é apenas um dia no calendário; é um gesto de cuidado que liga as raízes do bem‑estar animal às raízes da nossa própria saúde. Como quem sente a mudança das estações, devemos perceber que o tempo interno do corpo e o tempo do ambiente caminham juntos — e que cuidar dos animais é também cuidar do tecido vivo da sociedade.
A 25 de janeiro, então, a Itália celebra um despertar coletivo para a prevenção, com vozes políticas, científicas e profissionais convergindo para lembrar que a vigilância veterinária é peça chave na manutenção da saúde pública.






















